quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Nós, humanos.

Há pessoas ladinas, que sabem o que esperamos delas, e, para não nos decepcionar, tendo em vista isso apenas como parte de seus planos para conseguirem exatamente o que pretendem de nós, acabam "confirmando" as nossas expectativas.

(Os oportunistas)

Há pessoas de personalidade vulnerável, que revelam exatamente o que esperamos delas; mas são sentimentos impingidos e projetados pela nossa exigência, e não sentimentos de descobertas interiores próprias.

(Os fracos e superficiais.)

Há pessoas que não correspondem às nossas expectativas e nem fazem a mínima questão para isso acontecer.

(Os indiferentes)

Há pessoas que forçam situações somente para nos contrariar sem um motivo aparente.

(Os inimigos e os chatos)

Há pessoas que preocupam com a gente indiferentemente de nossa maneira ou comportamento, porque acham que podem nos melhorar.

(Os que nos amam)


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Medo


Criastes uma muralha diante de ti, fugindo dos homens. Não conseguistes extrair deles nenhum sabor e, por falta de algo que te anime, irritou-se contra todos, e isolou-se do mundo. Por horror à indiferença humana, isolou-se do sentido da vida. Covarde! Não passas de um covarde! Ao invés de renunciar a tudo, você deveria ter agido! Se tudo estava por ser refeito, se tudo estava morno e triste, você acabou de esfriar com sua renúncia e fuga. Se tudo estava abandonado, pelo menos restava a sua vontade. Talvez tudo poderia ressurgir a partir de suas energias. Deverias ter sido o pioneiro. Não! Você procurou o seu lugar, o seu refúgio, o seu mundo. Despertai, ó indigno! Não desperdice tempo e vida. Arrebentai a muralha que tu próprio construíste e torne-se livre para ainda encontrar tempo suficiente para ajudar um irmão, para se ajudar. Esse mundo é maravilhoso e o espera para que junto como os seus semelhantes, assumam o amor que está hibernado e que pode ser despertado por um gesto simples de solidariedade, gesto esse que pode se transformar ou numa grande amizade, ou num grande amor. É, no mínimo, a primeira condição para isso acontecer. Despertai e praticai esse gesto e verás que se manifestará uma satisfação interior tão grande, no ato desse reencontro, que nunca mais temerás mais nada.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Transcendência

São duas horas, escuto o silencioso barulho da madrugada. Sinto que todas abstrações do infinito jorram em mim seu curso. Nesse momento não tem presente, futuro ou passado. Sinto como que transmutado e ilimitado. Não, não tem nada que ultrapasse esse sensação de “ser”. Nesse instante, intensamente vivo. Sinto concretizar em mim o que estava nas reticências. Choro! Mas lá no fundo o som desse choro se ricocheteia e seu eco volta num estrondoso sorriso. Então, rio, rio às gargalhadas e descubro que é esse o verdadeiro riso: O eco de um choro.

Sinto nesse momento que não preciso usar disfarce, deixo claro que me libertei, me vinguei de todas as vinganças que não vinguei. Prosperei. Não existe bem- mal, angústia-paz, moral-imoral, igual-diferente. Nesse momento ultrapassei tudo, transcendi. 


Sem essa de impulsos contidos. Nesse momento sou um super-homem sem ser diferente de ninguém, só não sou mais estático, vou além. 


Nesse momento não sei exatamente o que estou fazendo: Externando o meu ser? Descrevendo? Só sei que transbordo todas as minhas convicções, fazendo barulho nas entrelinhas. Nesse momento os conflitos de minha insegurança lutam com a convicção de minha transcendência. O que escrevo agora é o resultado dessa luta que  não consigo reter dentro de meu ser. Estou transbordando. Pouco me importa saber se essa vazão é dissonante, sem nexo, sem poesia, mas dos meus poros exalam o que eu queria.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Moro num casa onde a janela dá para a rua. Fico daqui a digitar e a observar. No momento, diante de um sol causticante, vejo um carroceiro paralítico, sua mulher e dois filhos. A mulher vai à frente vasculhando as sacolas de lixo e separando garrafas plásticas de refrigerantes e diz algo que não pude entender, o marido e os filhos, enquanto arrumam as bugigangas, riem gostosamente de o que ela falou. O filho mais novo, usando um boné vermelho, lembra demais meu filho mais velho, fruto do segundo casamento, que mora com a mãe. Me dá vontade de chamá-los e oferecer um café. Não consigo. Choro copiosamente, choro como nunca havia chorado antes. A cena mexe comigo. Choro, não pela miséria deles, mas pela minha. Choro pela falta de um sorriso fácil que não tenho. O porquê de eu também não sorrir tão gostosamente? Pegando lixo, passando fome, a família está junta, pais e filhos sorrindo, apesar de, eu, barriga cheia, protegido do sol causticante, digitando, infeliz, apesar de...


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Por que algumas pessoas, em plena posse dos objetos que tanto sonharam, não conseguem ser felizes? Porque, se antes de tudo, não existir amor, seja lá o que for o que vier, não terá nenhum sentido. Tenho um profundo pesar por essas pessoas, é muito difícil agradá-las. É difícil agradar a quem não tem amor. Pouquíssimas são as pessoas no mundo que amam simultaneamente o seu dinheiro e as pessoas. Eles anulam a si próprio e destroem os impulsos da alma. São meros joguetes de sua fortuna. Seja lá qual for a sua hierarquia na sociedade, nunca realizarão a si próprio. Nunca serão felizes porque o apego a bens materiais é compulsivo, quanto mais se adquire, maior é a vontade de adquirir mais. Se essas pessoas não recuperarem o domínio de si próprias, nunca alcançarão a parte mais nobre de sua constituição: o amor. Nunca verificarão que ser amado como um verdadeiro ser humano é muito diferente de ser respeitado pelo seu prestígio hierárquico social. Não terão a oportunidade de descobrir que o amor é a maior de todas as fortunas, é o maior de todos os dinheiros, pois o amor é capaz de supri-los, enquanto que a fortuna, dinheiro, as posses, sem ele, não passam de objetos, que servem a abjetos humanos.


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domingo, 28 de dezembro de 2014

Fui cuidado como nunca

Ela cobrava muito. Ela ciumava muito. Ela exigia muito. Eu teria que escolher: ou o mundo lá fora que não cuidava de mim, mas me dava alguns prazeres diferentes, ou ela, só ela, extremamente possessiva, mas cuidadosa, zelosa e amorosa. Fiz a escolha. Fui embora. Imaginei que nenhum de nós poderia sofrer com essa decisão, pois pensava que eu amava apenas seus zelos e que ela, na verdade, não me amava de verdade, apenas amava zelar alguém.

Essa coisa de cuidar e de ser cuidado é algo sublime e devastador.                     

Depois dela tive várias mulheres. Mulheres que me davam mais espaço, mais terreno, mulheres que não eram tão possessivas e eu não precisava justificar tanto. O problema é que nenhuma delas conseguia cuidar de mim tão bem, nenhuma delas se dava tão inteira como ela. Talvez o problema estivesse em mim. Eu não queria deixar esse papel para outra. Por quê?

...E ela cuidou de mim. E cuidou como jamais alguém cuidou e cuidará um dia. Nunca mais vou esquecer-me disso. Nunca mais!

sábado, 27 de dezembro de 2014

Eu e eu mesmo.

_ Temos que agir dentro de um procedimento padronizado e racional se quisermos ter um relacionamento amoroso e duradouro com alguém. 
_ Você tem que agir assim, eu não. Não sou automatizado. Quero é ser feliz!
_ Mesmo que sua rebeldia faça alguém infeliz?
_ Não temos esse poder todo: Sermos os senhores dos sentimentos de alguém.
_ Engano seu. O nosso estado de espírito é muito mais influenciado pelas  pessoas que nos circundam do que de nós próprios.
_ Isso em sua opinião. Para mim a felicidade independe das contingências da vida. Eu não sou feliz ou infeliz porque alguém tenta me impingir isso.
_ Então você não ama e não é amado!
_ Desde quando, alguém que sente senhor de alguém e só obedece a normas, pode amar? 
_ Não confunda esses seus relacionamentos físicos arrebatadores, com sentimentos. Estou falando de um amor puro, sem máculas e jogos de interesse.
_ Você está confundindo obediência, escravidão, consideração e hábitos  com sentimentos. O que chamam de amor para mim é só onde não tem nenhuma exigência. O seu "amor" exige muito. O meu amor pede apenas prazer.
_ O prazer desses seus amores é efêmero, meu caro amigo. E onde tem só prazer não tem amor.  Você não conseguiria amar uma pessoa só por toda uma vida?
_ Nunca se sabe. Eu vivo de paixões. Quem sabe Deus um dia me faça   eternizar uma delas.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

_ Ô cumpade, tô precisando embirrar minha fia mais véia.
_ É verdade cumpade, sinhá já tá ficando pra titia.
_ Cê me ajuda arrumar um marido pr'ela, cumpade?
_ Posso fazê um esforcinho, sô!
_ Vou ficá muito agradecido.
_ E qual o tipo de sujeito qu'ela gosta?
_ Deixa isso comigo, me apresente o cabra.
_ O fio de Manelim tá no posto, sô.
_ O cabra é bão?
_ Num bebe, num fuma, num mente, num fode.
_ Lugar de santo é no céu, cumpade!
_ Tem o filho de Veríssimo!
_ E esse, cumpade, é bão?
_ Fuma, bebe, mente e fode, mas é amorento que só ele.
_ Fechado, cumpade, achei esse mió. Se o filho de Veríssimo é amorento, não precisa outro.
_ Por que, cumpade?
_ Quem tem amor, dispensa outros predicados, sô!



quinta-feira, 25 de dezembro de 2014


_ Se o amor fosse uma oscilação entre prazer e dor, você não o quereria? 
_ Preferiria estacionar só no prazer.
_ Prazer sem amor?
_ Amor com dor?
_ As rosas tem espinhos.
_ Seu cu tem botão. Papo furado, meu.
_ Amar também é ter que sofrer. È ter que passar por cima de tudo.
_ Justamente para chegar no prazer e ponto.
_ Quando digo passar por cima de tudo, digo ter que enfrentar as 
vacilações e lutar bravamente por ele no dia-a-dia.
_ Não tem essa necessidade.
_ Amor não é só maravilha que você imagina.
_ Você que imagina assim. Eu tenho certeza.
_ Então para você não existe dor?
_Quando você vivenciar o amor num nível mais profundo descobrirá e verificará que a dor é o estágio mais superior dele. O que você chama de dor pra mim continua sendo amor.

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Refletindo amor.

_ Por que você não olha no espelho? É falta de vaidade?
_ Não! É porque acho ridículo o semblante de um homem apaixonado. 

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Amor e (a)feto.

_ Está grávida?
_ Sim, é um fato.
_ Vamos casar?
_ Não!  Não há amor.
_ Mas há feto.

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Submissão

_ Você é sempre assim submisso?
_ Sou!
_ Por que?
_Me convém está sempre a mando

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014


Amor e paixão


_ Quem é você?

_ Eu? Não sei me auto-avaliar.

_ Você sabia que tem pessoas ao seu lado esperando muito de você?

_ Assim como não exijo que as pessoas correspondem aos meus anseios, também não aceito que exijam isso de mim.

_ E os seus amigos?

_ Guardo pouquíssimos amigos no peito, e esses me conhecem bem.

_ E o amor, você não tem nenhum?

_ O que você chama de amor, para mim ainda não existe. Vivo é de sexo.

_ Mas isso não é vida!

_ Cada um enxerga a sua com os olhos da própria cara.

_ A vida é passageira. É preciso preparar o espírito para os céus.

_ Sim, a vida é fugaz! É nela que tenho que me desdobrar. Hoje aqui sou corpo e cm ele quero a vida gozar.

_ Também temos que realizar o espírito, você sabia?

_ Cada um realiza a seu modo. Meu espírito se funde na carne e se realiza quando executa, da melhor maneira possível, a arte física de amar.

_ Desconjuro! Você não tem vontade de se apaixonar?

_Agora estamos começando a nos entender. Apaixonar, sim, quero muito. Mas como você, não quero deixar de viver até isso acontecer.

_ Mas com essas atitudes você não conquistará ninguém!

_ Quando uma paixão surge, ela não se dá ao trabalho de conquistar ninguém. Ela não sabe o que é conquista nem essas artimanhas que você chama de amor usa.

_ A paixão é passageira, você não sabe simplesmente amar?

_ Passageiros são esses relacionamentos impetuosos, que se esvai rapidamente na primeira dificuldade que surge e deixam amarguras. Mas isso nunca foi paixão.

_ Então, o que é?

_ É ilusão! Onde o relacionamento tem um sentimento unilateral, onde apenas um dos parceiros tem a intensidade do sentimento. Esse desentrosamento desmorona qualquer relação, mesmo o que você chama de amor.

_ O que é paixão então?

_ É um amor arrebatador, verdadeiro, total, absoluto e contagiante. É um relacionamento onde os parceiros se envolvem com tanta reciprocidade de sentimentos, que nenhum consegue resistir a tamanha emoção. É o ápice do amor que só será superado, se Deus criar um novo sentimento.

_ Muito bonito! Mas continuo achando que não passa de um sonho, e passageiro.

_Sonho passageiro para você que se acostumou a viver relacionamentos limitados.

_ Você acha que realizará esse sonho?

_ Essas bagatelas que você chama de amor não são coisas minhas, com certeza a paixão será o arremate de minha vida. Veja bem! O que chamo de paixão não tem a ver com o que você chama de paixão. Paixão pra mim é a arte de amar, sem fazer nenhum tipo de concessão.

_ Até que você pensa bonito, mas será que suas atitudes de hoje não subornam os seus verdadeiros desejos?

_ Pelo contrário! É no tesão e no gozo que se impõe a nossa vontade de amar.

_ Mas isso não é depravação?

_ Depravado, dizia Sócrates: " é quem ama o corpo mais do que a alma". Eu amo os dois na mesma proporção. Não será a verdadeira arte de amar?

_ Mas você fala mais da carnalidade do que do amor.

_ O amor sem carnalidade é muito teórico.

_ Mas a carnalidade sem amor é animalesca.

_ O amor é mais influenciado por essa carnalidade do que por qualquer outra coisa.

_ Você não apaixonaria por uma mulher, se não transasse com ela?

_ Você está me entendendo mal. Claro que apaixonaria. O sexo apenas corrobora, a paixão já vem possuída de gozos e tesões.

_ Há quem diga o contrário. Que a paixão se extingue com o gozo.

_ Há quem confunda tara com paixão.

_ Eu não me entregaria a uma tentação inútil!

_ Sua colocação é sem nexo. Se você não se entregou, não pode afirmar que ela é inútil. Talvez você não saiba o que seja de fato uma "tentação".

_ É bom que seja assim, uma mulher tem que ser reservada.

_ Se você não sabe, fique sabendo: Uma mulher é uma mulher mais as tentações que ela não resistiu. Você se impõe demais ás suas próprias regras e exortações. Isso demais é veneno.

- Venenoso é você que quer me prostituir!

_ Não, absolutamente, não! O que eu quero mesmo é lhe "divinizar".

_ Divinizar? Você, com essa libido incontrolável?!

_ Há mulheres que inspiram algo que vão além das atrações físicas e mesmo você com esse corpo sedutor, se impõe mesmo é pelo jeitinho puro, que é a promessa de uma grande expressão de amor.

_ Você está se contradizendo.

_ Não é isso, náo! Eu me sinto cedendo. Eu tenho impressão que á a minha tão sonhada paixão.

_ Ó meu Deus! Será? Eu também estou com essa sensação.

_ Agora não teremos mais margens para reflexões, a não ser a certeza de que cada dia aumentará essas nossas emoções.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2014


Discussão insípida


_ Não basta está nua sua crua!

_ Por que então não teve o fogo suficiente para me deixar no ponto?

_ A gente é que se queima!

_ Não, sem o outro a gente derrete, mas não cozinha.

_ Não é outro que te cozinha, o outro apenas regula o calor do fogo.

_ Seu fogo é baixo.

_ Meu fogo não cozinha o que não é comestível.

_ Seu fogo é previsível. Acostumou com uma só temperatura.

_ Você não tem sabor!

_ Então vá comer merda, seu idiota!

_ Merda pelo menos deve ter algum gosto, insípida!


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Sem amor não há sorriso


_Uma boa risada, pra mim, depois do orgasmo é o que mais me faz bem.

_E o amor?

_Você já viu alguém sorrir e ter vontade de sentir orgasmo, sem amar?

_Já!

_Não, você viu alguém contrair os lábios e ejacular. Eu falo do suprassumo, do ápice, do prazer quem vem das profundidades do corpo e da alma.


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domingo, 21 de dezembro de 2014

Apaixonada

_ Você é louca por ele, minha filha”
_ Ah, pai, xô nada”

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Ridículas

_ Cula não faz nada porque acha o amor ridículo.

_ E essa outra aí que ama exageradamente?

_ Ri de Cula!



sábado, 20 de dezembro de 2014

_ O dia há para amar.
_ Você não sabe amar de outro jeito?
_Como assim?
_Sem odiar?
_ Mas eu não odeio!
_ Eu sei que você não me deu.
_ Lhe dá?
_ Você que está falando!
_ Falei o que?
_ Que não me deu.
_ ?
_ ..

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_ Quem é você?

_ Eu sou Charles, também chamado de louco e irresponsável.
_ Por que?
_ Porque revelo meus sentimentos e manifesto meus pensamentos independentemente das conveniências sociais.
_ E qual a loucura que existe nisso?
_ Hoje em dia é proibido você ser você.
_ Então, eu não sou eu?
_ Ser você num mundo em que todos querem te refazer, é difícil, mas essa pergunta só deve ser feita a si próprio.
_ Mas eu tenho certeza que eu sou eu mesmo.
_ Será?
_ Você está tentando me confundi.
_ De jeito nenhum! É que as pessoas nos anulam sutilmente, sem nos apercebermos disso.
_ E você? Tem certeza que você é você mesmo?
_ Sou! Mas só sou porque descobri as sutilezas que eles usam.
_ E quais são?
_ Elas não podem ser ensinadas, só percebidas.


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