sábado, 31 de maio de 2014

Putativo

Uma passou inspirando amor.
Outra passou transpirando amor.

Uma insinuou um sorriso.
Outra deu uma sonora gargalhada.

Uma, tímida, retraída e reservada.
Outra, expansiva e desarvorada.

Uma, parecia toda casta e pura,
A outra toda gasta e usada.

Qual me fez mais mal?

Uma me levou o dinheiro.
A Outra...
A alma.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx


Tô noutra!

Não, eu não sou outro.
Sou o mesmo,
Não sou ruim, não .

O que tenho de diferente
é uma nova emoção
Que acendeu o estopim
da bomba de uma paixão .

Empacotei meu amor e te esperei, esperei.
Indiferente e insensível, você não veio, não,
e para não perder o amor que eu guardei
apareceu alguém que o salvou da decomposição.

Uma mulher frágil, dócil, e com boa intenção,
que me mostra no dia a dia
que o amor não se guarda, é ação.

Sinceramente, você não quero mais, não.
Que sofra que nem eu,
Mas aprenda essa lição.

sexta-feira, 30 de maio de 2014


Possuir

A sensação de chorar
quando ela não está.
A sensação de sorrir
quando ela está por vir
A sensual ação de não mais
chorar nem sorrrir , só gemer:
_O momento de lhe possuir.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Ah, você!

                                                        
Ah, você...

Com esse ar de pode ser,
Com esse riso fácil e
Com esse olhar me implorando amor.

Ah, você...

Que é cara, corpo, gênio, mas
Que não me deixa por inteira se revelar...
Roendo assim, o meu coração antes dele parar.

Ah, você...

A quem suplico amor, carinho e afeto,
Projeto, integro e entrego
Toda a minha arte de amar.

Ah, você...

Que cede, como quem não quer,
Sorvendo e se dando devagar, assim
Como se soubesse como gostosamente entregar.

Ah, você...

Que é mais que bela, mais que corpo,
Mas que se deixa tímida revelar...
Sendo eloqüente só no ato de se dar.

Há você...

Para dar sentido à minha vida

quarta-feira, 28 de maio de 2014


Tô noutra!

Não, eu não sou outro.
Sou o mesmo,
Não sou ruim, não .

O que tenho de diferente
é uma nova emoção
Que acendeu o estopim
da bomba de uma paixão .

Empacotei meu amor e te esperei, esperei.
Indiferente e insensível, você não veio, não,
e para não perder o amor que eu guardei
apareceu alguém que o salvou da decomposição.

Uma mulher frágil, dócil, e com boa intenção,
que me mostra no dia a dia
que o amor não se guarda, é ação.

Sinceramente, você não quero mais, não.
Que sofra que nem eu,

Mas aprenda essa lição.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Precisamos do outro

Falta sim
Não é algo
É alguém

==

Acabou, mas foi lindo um dia

Amor que gera trauma
Nunca pude entender isso
Só pelo tempo bom já vale á pena

==


segunda-feira, 26 de maio de 2014


Singular

Faça de conta, faça de verdade,
faça tudo o que quiseres;
porque eu faço de conta, sobretudo,
que você é a única entre as mulheres.  

==

   

domingo, 25 de maio de 2014


Auto-Encontro

Existe amor aqui, ali,
em qualquer lugar,
mas só o encontra
quem primeiro se encontrar.


sábado, 24 de maio de 2014

Sou dos Montes, é Claro.


( À minha querida cidade natal)


Sou Montesclarense , cristalino, nato, da gema.
O que sinto é arraigado no peito, não é estratagema.

Reparto amizade, cansaço, até dor,
porque sei que em minha terra
essa fusão  pode gerar amor.

Sou da terra da harmonia, dos contrastes,
das misérias, riquezas ,analfabetismo e grandes artes.

Sou da terra dos guerreiros:
Aroldo, Reivaldo, Mauro, Adilson Cardoso...
Dos saudosos, grandes e maravilhosos
Darcy, Hermes, Cândido, Cyro e tantos outros.

Todo o meu orgulho é da satisfação
que tenho de ser dessa terra.
É um amor de verdade, sem mazelas.
Amor de emoção e coração.
e sinto cumplicidade com ela ao pisar no seu chão.

Ah, cidade! Quando saio de suas fronteiras
É somente por saber que alguém perguntará:
_Você é de Onde?
E eu cheio de orgulho é claro responder:


- Sou de Montes Claros!

==

Quando escrevo a palavra “Montes Claros”, é como se eu já fizesse uma declaração de amor para a cidade que nasci.

Montes Claros não tem som de um substantivo descrevendo um adjetivo, tem som de sentimento gostoso.

Montes Claros é gostoso de falar, de pronunciar,de disseminar.
Mon-tesCla-ros

Montes Claros não é uma cidade, é o refúgio de quem quer vivenciar o significado das palavras amor e cidadania.

Ah, como tenho orgulho de nascido e nunca ter saído desse lugar.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Como sou inocente
Quando penso que não transmito o que sinto
Minto pra mim sem saber
Mas um olhar ordenado pelo coração
Não sabe dissimular
Olhando no espelho ao fundo o retrato dela
No meu semblante percebi
É bobagem me segurar, prender
Por que então não me soltar?
Explicitar isso para o mundo
Não é regra nem dever
Mas deu uma vontade de ao mundo gritar:

EU ESTOU APAIXONADO!

xxxxxxxxxx


Merecimento

Pudesse lhe dar a jóia mais cara do mundo
Pudesse por o mundo aos seus pés
Pudesse tudo que você quisesse
Eu sei que você não pede nada
Você só ama, você enobrece

Mas, ah, se eu pudesse tudo, você merece!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

O homem que me ensinou viver
      (À Darcy Ribeiro)

As dores físicas do seu câncer,
os prazeres proporcionados por tantas mulheres,
a sua vontade de consertar o Brasil,
A paixão pela política, pelos estudantes, pelos índios
E essa intensidade e a vontade de viver,
Fez de Ama®, Goza®  e Sofre®  , Darcy,
suas marcas registradas.

==

Eletro-selvagens

Pra que telefone? Ninguém liga pra dizer que me ama.
Pra que televisão? Ela não faz virar fantasias meus medos.
Pra que liquidificador? Ele não tritura os meus mais íntimos sofrimentos.
Pra que aspirador? Ele não aspira minhas tristezas.
Pra que fogão? Ela não queima o que tenho pra queimar.
Pra que geladeira? Ela não congela dor.

Pra que...

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Sem dor

Que eu morra simplesmente
sem dor
sem pavor
sem dó
parada abrupta do coração
da respiração
falta de movimento
e fim

xxx


suicídio

um estar afobado
andar sem compasso
tentativa de vida
mas foi projeto abortado

xxx



terça-feira, 20 de maio de 2014

Sentimento não tem sexo

Sou como uma mulher insaciada
Depois de uma satisfação carnal sem amor
Choro no vazio do depois

xxxxxx

Completude

Ser dois num só
Fundir corpo e alma
Apaixonar
Viver o amor maior
Unificar

xxx


segunda-feira, 19 de maio de 2014


Quero mais

Não quero ser amigo
Não me dê abracinho camarada
Me aperte com gosto
Não me fale palavras de conforto
Murmure algo insinuante
Eu quero é fazer amor com você!

xxx

Ausência

Saudades...
senti,
sem ti.




domingo, 18 de maio de 2014

Borboletas lindas
ziguezague entre belas flores,
mas só os apaixonados podem enxergar.

 ==
mar de sentimentos

náufragos do amor
passa medo...

mas não afunda

sábado, 17 de maio de 2014

Um sentimento ao acordar


Escrever algo sobre paixão
Transbordamento, pura demonstração
Talvez saia desritmado com versos sem rimas
Estrofes sem tanta expressão,
Mas ficando subtendido a intenção
Afinal não é o meu ganha-pão

Já sei, vou fazer uma poesia
Daquelas sem regras e sem simetria
Falar de um grande amor
Do seu, do meu, de qualquer um
Mas do amor, do bem maior, da sensação imprescindível

Que tal?

Mas falam tanto do amor, será que há mais o que falar?
Vou tentar! Sutilmente?,Com eloqüência?
Sei lá! Falar, senti-lo, deixá-lo ficar, voar

Você vai ler, colocar suas palavras no lugar
E sem querer comigo “duetar”
Juntos, nós dois agora
Escrevendo, lendo,
Ei, isso é uma forma de amar
Se tivesse aí um beijo iria lhe dar

Amar é fazer uma carta de amor
Se deliciar com a que recebeu
E querer responder a cada vez que ler

Amar é fechar os olhos, sentir como é forte esse gostar
É chorar de emoção, sorrir e ao mundo querer declarar

Amar é saber que tudo valeu á pena
Que sofremos só para ficarmos maleáveis
Amar é viver, encontrar barreiras
Sorrir, porque sabe que vai ultrapassar

Amar talvez seja essa lágrima que derramo
Lágrima da ânsia de tudo de bom eu querer executar
Amar é sentir que somos poderosos
Podemos perdoar, renovar,  avançar


Viva o dom maior!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Naturalmente

Pegar palavras sem cuidados
Postá-las sem simetria
Amor, carinho, ternura
Falar de coisas boas
Declarar sentimentos
Fazer boa mistura
Isso é poesia


xxxxxxxxxxxxxxx


Incompatibilidade

Amor e razão
Sentimentos distintos
Não são inimigos

Mas não andam juntos

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Soneto sem te(i)ma.

Não me dê um tema para escrever.
Eu não tenho técnica para rabiscar.
Prefiro deixar o pensamento desenvolver
Lembrando de um perdido olhar

Como é triste ser escravo de normas
E pensar em número de linhas
O bom é deixar o verso ganhar forma
Independente de regras e pecuinhas

Até quando meticular palavras e rimas
Se o importante é se deixar soltar.
Escrever simples é que fascina.

Que o verso, essa ilimitada criação
Seja escrito de maneira simples

Despertando cada vez mais inspiração.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Onde ela está?
No inferno!
Então o paraíso é lá.

==

Acabou, não dá pra continuar
Restos não dão para reciclar
Jogue fora – recomeçar

==

Eu sem você
Você sem mim

Inexistência – somos um par

terça-feira, 13 de maio de 2014

Fugacidade

Não preocupo com a morte
Somos intensos demais
Viver não basta

==

Saudade

Brigamos
Fui embora
Mas nunca sair de lá

==

Zoomorfia

Raiva fulminante
Momento de lampejo

Tornamo-nos monstros

segunda-feira, 12 de maio de 2014

num era conchinha

a gente tava quietinho
sem fazer barulho
nós enganava eles
mas num enganava nós
gozemos

xxx


Sabiá malandrinha traiu
Parceiro quer vingar
Quer saber com quem
Ave amarela e preta, dedo duro
voava e dizia:
“bem que eu vi” “bem que eu vi”

xxx

até parece erro

erramos, amamos,
sofremos, choramos
até parece repetição e masoquismo

quem acerta sem isso?

domingo, 11 de maio de 2014

Uma árvore bem lá na frente
parecia gente.

-

O calor do meu amor
e a fama para o sol.

-

Sou de pouc palavr



==

sábado, 10 de maio de 2014

Um sentimento ao acordar


Escrever algo sobre paixão
Transbordamento, pura demonstração
Talvez saia desritmado com versos sem rimas
Estrofes sem tanta expressão,
Mas ficando subtendido a intenção
Afinal não é o meu ganha-pão

Já sei, vou fazer uma poesia
Daquelas sem regras e sem simetria
Falar de um grande amor
Do seu, do meu, de qualquer um
Mas do amor, do bem maior, da sensação imprescindível

Que tal?

Mas falam tanto do amor, será que há mais o que falar?
Vou tentar! Sutilmente?,Com eloqüência?
Sei lá! Falar, senti-lo, deixá-lo ficar, voar

Você vai ler, colocar suas palavras no lugar
E sem querer comigo “duetar”
Juntos, nós dois agora
Escrevendo, lendo,
Ei, isso é uma forma de amar
Se tivesse aí um beijo iria lhe dar

Amar é fazer uma carta de amor
Se deliciar com a que recebeu
E querer responder a cada vez que ler

Amar é fechar os olhos, sentir como é forte esse gostar
É chorar de emoção, sorrir e ao mundo querer declarar

Amar é saber que tudo valeu á pena
Que sofremos só para ficarmos maleáveis
Amar é viver, encontrar barreiras
Sorrir, porque sabe que vai ultrapassar

Amar talvez seja essa lágrima que derramo
Lágrima da ânsia de tudo de bom eu querer executar
Amar é sentir que somos poderosos
Podemos perdoar, renovar,  avançar

Viva o dom maior!
Mal acostumado

Você nem sabe se medo tem
Só tomou por certo
Vem

==

mulher feia quando arruma
consegue chamar mais atenção
.... para sua feiúra

==

não sei fazer poesia
mas se fizesse começaria com um “eu te amo “
e terminaria com um “não sei viver sem você”.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sem ela, definitivamente, não dá!

Agora são três e meia da madrugada. Apesar do horário, faz muito calor. Como sempre estou acordado pensando nela. Um reflexo de luz que entra pela janela caprichosamente começa a desenhar algo na parede em minha frente. Acompanho atentamente o movimento oscilante e percebo que parece desenhar um violão. Não! Parece um corpo de mulher, e é, inclusive o rosto está se delineando. O desenho está pronto. Meu Deus! É ela! Não acredito! Com certeza é a silhueta dela. Por um instante penso que aquela sombra na parede é o reflexo real dela e procuro com os olhos por onde ela possa estar. A saudade aumenta e vagueio em mil possibilidades de poder encontrá-la e trazê-la até mim. Começo a senti-la do meu lado. Sinto seu cheiro, sua respiração e seu hálito. Tudo muito real. Levanto para verificar com minúcia a origem daquela projeção que vem da janela, mas meu corpo, que sem ela, são mais de cem quilos de um vazio imenso, me segura, dizendo: "Não seja tolo, estamos num quarto andar de um apartamento. Não se engane, não me engane. Seus pensamentos voam, mas ela não pode flutuar no ar como um beija-flor e de repente surgir pela janela". Então, inconformado com essa verdade, volto a deitar e, apesar do calor sinto um frio e um calafrio. Meu corpo sofre. Pensamos no jeito peculiar dela, na sua sensualidade e nos seus trejeitos e carinhos tão singulares. Eu e meu corpo, solidário um com o outro, tentam se consolar, mas no fundo entristecem, sabendo que ela não voltará. Então, desesperançosos, esfacelamos sem compreender a razão dela não estar aqui.
            A madrugada, tão amiga minha, achando que está me fazendo bem, insiste em sombreá-la por todos os cantos da casa, intensificando o meu desejo de vê-la e tento sufocar esse amor para não estimular mais ainda o meu corpo também muito carente dela, mas esse amor é latente e palpita no escuro em cada célula minha.   Viro-me na cama por todos os lados, incapaz de sequer pensar no sono, começo a transpirar e chorar sem consegui me controlar. Ouço um barulho imenso. É uma explosão. Uma explosão interior que com espasmos constantes me balança por inteiro e me deixa mais agitado ainda. Levanto, lavo o rosto, bebo água e a madrugada, minha companhia de insônia, dessa vez parece querer me pirraçar, pois já notou a minha angústia, mas mesmo assim se recusa a amanhecer.       São cinco horas, estou incendiando de saudades, meus pensamentos vagueiam mais uma vez, dessa vez num quase delírio. A madrugada dessa vez percebeu o meu estado e mesmo não sendo hora de chamar o seu amante, o dia claro, dá-lhe um toque sutil e os dois, cochichando, se beijam, despedindo um do outro e marcando um encontro para depois. O dia claro toma o ar da graça e me expõe com um semblante carregado e triste, mas tentando me entreter com outras coisas, deixa o sol também se fazer presente, querendo me dizer, que é hora de levantar, de trabalhar e começar mais um dia. ...Não adianta! Mesmo no barulho da agitação da cidade, na agitação do meu local de trabalho, mesmo no  meu computador, só vejo o seu rosto, o seu jeito e sua maneira distinta, maravilhosa e exclusiva de ser mulher.             Eu a amo tanto, tanto...

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Fui cuidado como nunca

Ela cobrava muito. Ela ciumava muito. Ela exigia muito. Eu teria que escolher: ou o mundo lá fora que não cuidava de mim, mas me dava alguns prazeres diferentes, ou ela, só ela, extremamente possessiva, mas cuidadosa, zelosa e amorosa. Fiz a escolha. Fui embora. Imaginei que nenhum de nós poderia sofrer com essa decisão, pois pensava que eu amava apenas seus zelos e que ela, na verdade, não me amava de verdade, apenas amava zelar alguém.

Essa coisa de cuidar e de ser cuidado é algo sublime e devastador.                     

Depois dela tive várias mulheres. Mulheres que me davam mais espaço, mais terreno, mulheres que não eram tão possessivas e eu não precisava justificar tanto. O problema é que nenhuma delas conseguia cuidar de mim tão bem, nenhuma delas se dava tão inteira como ela. Talvez o problema estivesse em mim. Eu não queria deixar esse papel para outra. Por quê?

...E ela cuidou de mim. E cuidou como jamais alguém cuidou e cuidará um dia. Nunca mais vou esquecer-me disso. Nunca mais!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Transcendência

São duas horas, escuto o silencioso barulho da madrugada. Sinto que todas abstrações do infinito jorram em mim seu curso. Nesse momento não tem presente, futuro ou passado. Sinto como que transmutado e ilimitado. Não, não tem nada que ultrapasse esse sensação de “ser”. Nesse instante, intensamente vivo. Sinto concretizar em mim o que estava nas reticências. Choro! Mas lá no fundo o som desse choro se ricocheteia e seu eco volta num estrondoso sorriso. Então, rio, rio às gargalhadas e descubro que é esse o verdadeiro riso: O eco de um choro.

Sinto nesse momento que não preciso usar disfarce, deixo claro que me libertei, me vinguei de todas as vinganças que não vinguei. Prosperei. Não existe bem- mal, angústia-paz, moral-imoral, igual-diferente. Nesse momento ultrapassei tudo, transcendi. 


Sem essa de impulsos contidos. Nesse momento sou um super-homem sem ser diferente de ninguém, só não sou mais estático, vou além. 


Nesse momento não sei exatamente o que estou fazendo: Externando o meu ser? Descrevendo? Só sei que transbordo todas as minhas convicções, fazendo barulho nas entrelinhas. Nesse momento os conflitos de minha insegurança lutam com a convicção de minha transcendência. O que escrevo agora é o resultado dessa luta que  não consigo reter dentro de meu ser. Estou transbordando. Pouco me importa saber se essa vazão é dissonante, sem nexo, sem poesia, mas dos meus poros exalam o que eu queria.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Requebra que eu te dou um doce!

                                     (A um louco muito especial)

Quem de nós, moradores dos Bairros Morrinhos, Vila Guilhermina e adjacências, aqui em Montes Claros, que já não deparou com o famoso e folclórico Raimundo Requebra, ou simplesmente "Requebra", com o seu exótico e particular jeito de ser.
Há 30 anos morando na Vila Guilhermina, acostumei com o seu palavreado nada convencional, geralmente provocado por alguma criança, que, como eu, nos meus tempos, escondia de algum lugar e gritava: "Ô, requebra!".   Sim, Raimundo adorava rebolar, imitar uma mulher, mas não admitia que o chamassem de Requebra.
Meus filhos hoje, fazem o mesmo. Escondem e quando ele aproxima, gritam e provocam o Requebra, também chamado por alguns de "Xêpa". Mas não são só as crianças que  gostam de provocar o Raimundo, não; nós, adultos, também. Eu, por exemplo, deixava o aparelho de som ligado a toda altura, preparava uma fita cassete de uma banda baiana chamada "Olodum", que tinha uma música que repetia várias vezes o seu apelido, e, quando ele estava por perto, eu apertava a tecla de pausa, que ficava suspensa como uma armadilha, propositadamente preparada para desarmá-la naquele ponto e naquele momento.
Há quase dois anos que o Raimundo requebra desapareceu, cogita-se até como certa a sua morte. Sumiram com Requebra, essa inofensiva criatura vítima de tantas covardias e indiferenças por parte de muitos seres chamados de humanos.

Raimundo, você que já suportou tanto espancamento, até a água fervendo no corpo  já resistiu. Você já suportou absurdos, "Rai", não é possível que liquidaram com você. Não! Se você desapareceu, foi porque bem quis, eu sei.
Cadê você,Raimundo? Você nunca demorou tanto a nos "encher o saco"!   Cadê você, Raimundo, que, através de gestos e gritos, ensinou todos os meus filhos a falar palavrões indecentes? Cadê você, Raimundo, que me obrigava a comprar um maço de cigarros, eu, que não fumo, só para todo dia lhe dar um e ter certeza que o veria, para, na verdade, através de você, saber sobre o meu próprio destino? Cadê você, Raimundo, que uma vez surpreso com um comportamento estranho meu, sabendo que não me era peculiar ficar carrancudo, simplesmente me disse: _Pense, pense, mas depois, dispense, se não você fica doido, viu?

Conversei com muitos a respeito de Raimundo, mas ninguém sabe de completo que é ele. Ele é indizivelmente ameaçado, complicado, frágil.   

Raimundo é só um pressentimento, nunca uma afirmação, é uma nostalgia que se confunde com a própria natureza em busca de sua verdadeira forma e possibilidade, porque sabe que a verdadeira paz não vem dos caminhos racionais.
  
Quantas vezes eu me pergunto se Raimundo é de fato um doido ou, simplesmente, um homem muito corajoso que vive o perigo, a morte, o medo e anda peregrinando indisciplinado, com sonoras gargalhadas, cheio de sonhos, apenas porque é um enamorado da vida.
Eu não posso imaginar que alguém teve coragem de matar  alguém que só tinha a vida como patrimônio e por isso mesmo tinha como importante só o viver.
Raimundo é amor e a prova dele, porque amor mesmo é sorriso na dor. Raimundo era um eremita, e quem tinha a oportunidade de conversar com ele, como eu, sabia que ele era não só um andarilho inconsciente, ele era acima de tudo, um sábio gozador. Ele foi o último dos extravagantes. Extravagante, por ser autêntico demais.
Se acabaram com o Raimundo é porque sabiam que ele era um herói que jamais iria fugir do seu destino e nem tentaria modificá-lo. Se acabaram com o "Xêpa" é porque morriam de inveja dele ter sido o escolhido pela natureza para ser o humano que representasse e expressasse a liberdade absoluta. Ele era "ele" mesmo.

"Por isso mesmo meu querido Xêpa, paro nesse momento de me lamentar, porque sei que você sempre será "você" onde estiver. Nesse momento, depois de quase um ano de espera, pego novamente aquela fita de olodum que sempre esta no ponto de chamar por você, ligo o som, aperto o "play" e onde você estiver, com certeza, curtindo com a cara de alguém, escute como se fosse a voz de nós todos que sentimos saudades de você:

"Requebra, requebra sim, pode falar, poder rir..."