segunda-feira, 30 de junho de 2014

sinistro

fulana amada sumiu
libido ainda cobra
sicrana no lugar
desejo do corpo agradece
coração suicida
agora desejo cérebro
me sinto um zumbi

xxx

engano

Não foi crime
Eu amei
Um mal-entendido
Eu me enganei
Ela pediu
Eu tentei
Era pra afagar
Eu afoguei

==


domingo, 29 de junho de 2014

Ela não era só bonita

ela era altruísta, alma doce, era boa
não perdi uma mulher, perdi um anjo
quero o céu, quero a mesma nuvem dela

xxx

ressuscitação

Arvore seca
Prenúncio de morte
Se primavera não existisse

xxx


sábado, 28 de junho de 2014

Talvez a teimosia em não fazer poesia
Seja a certeza de que nos versos vou declarar
Mas sei também que é ingenuidade
Não é preciso eu poetar
Você é sim o meu grande amor
Tá na cara, tá no jeito até de eu andar

O que sinto por ti fez minha vida ganhar leveza
Dúvida virar certeza
Medo ganhar coragem
Espera começou andar
Não fico mais no  ver no que vai dar
Amor, vou te buscar

 Na minha vida você vai participar
Arrume tudo, venha sem medo
O amor que estava represado
para você todo o transbordar
Estou indo amor:

Nosso sonhar vai realizar!


sexta-feira, 27 de junho de 2014

(Sobre)viver

Perdi a agressividade. Estou sem crises nervosas, existenciais e financeiras. Meu sangue não está mais febril. Estou me rendendo às exigências da sociedade, do estereotipado e do previsível. Será que envelheci?

Mas me disseram que carregamos com a gente por toda a vida as idades que já vivemos. Será? Eu, até pouco tempo, mandava tudo à merda, brigava por quase tudo. Paz! É isso! Estou sentindo paz! Alguém me disse que é a paz que faz a gente sentir assim.

Paz? O mundo continua doente, sacana, injusto e sangrento e eu aqui, conformado, parado, pensando. Se isso for o que as pessoas chamam de paz, na verdade, não passa de uma ira camuflada, de uma máscara, de uma anestesia social.

Cuidado amigos, é isso que a vida pode fazer com a gente, quando se comete o crime de se “enquadrar no contexto”, de ser chamado de lúcido. Agora só me falta converter religiosamente, fazer doações para pastores imbecis e deixar meu filho  e meu vizinho passar fome. Devo o que, hein? Ser o Charlão de antigamente? Isso. Quero rebelar outra vez. A “sensatez” (Hipócritas filhos da puta) não tem a minha cara, embora, até pouco tempo, parecesse com ela.

            Acho que preciso conversar com mais crianças, com loucos e com um bêbado. È isso. Decidido. Preciso da verdade ingênua  das crianças, da verdade roubada dos loucos e da verdade reprimida que acha uma brecha nos alcoólatras. Nessas verdades (sagradas e profanas) é que se deve achar o verdadeiro sentido de tudo. Mas...

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Conhecemos num site
Nem parecia que iria fluir
Hoje não tiro você da mente
Minto!
Não tiro você do coração
Hoje ligar o computador
Acessar a Internet
É mais que um entretenimento
É sair do sonho
E mesmo no virtual
Está sendo parte da realização
Sou aquele que ainda se faz de amigo
Mas de amor por você estou morrendo
Será que podemos deixar isso perder?
Mais do que meu computador
Para lhe acessar
Formatei meu coração
E hoje o espaço do HD Homem Deslumbrado
Só cabe você
Email é pouco, Msn melhor
Mas quero você de verdade

Venha amor (perdi o medo de lhe chamar assim)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Soneto de um caipira urbano

Lua cheia na roça, fogão de lenha, uma franga a cozinhar,

Nós ali, juntinhos, sozinhos, na varanda deliciosamente a beijar,

Enquanto na cozinha uma velha panela não para de chiar,

imitando com perfeição o mesmo barulho das ondas do mar.


Lua cheia na roça, noite clara, espetáculo da natureza.

Uma sensação de paz de espírito e de um sonho realizar.

No vaivém da rede a balançar um abraço com firmeza e

a crença de que aquele momento pudesse se eternizar.


Lua cheia na roça, noite linda, induzindo ao céu, olhar.

Um carinho, um abraço, mais um beijo...

Tudo lá.


Depois, o ombro amigo, um cigarro de palha a pitar,

Uma piada da cidade e um frango caipira para revigorar.


Ah, como é gostoso, na lua cheia da roça, sonhar e
amar!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Não que a pessoa vivesse do que nunca existiu, mas ainda que não fosse real (para nós), tudo o que alguém acreditou, existiu até então.

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Quem não toma banho de cultura fica com tiririca, abestado!

segunda-feira, 23 de junho de 2014


As tentações não me resistem.

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_Em Minas Gerais,  há um lugar que se vive com saudosismo, lirismo, paz, ternura, amor e paixão.
_ E tem cidade assim?

_ Intensidade assim! só em Montes Claros.

domingo, 22 de junho de 2014

O amor não pode existir sem paixão e paixão sem o amor.

_ O que é o amor?
_ Entre um homem e uma mulher o que chamam de amor conheço como paixão, embora, um seja a sombra do outro.
_ De jeito nenhum. Amar uma pessoa é bem diferente de se está apaixonada por ela. A paixão é apenas uma atração física fulminante. Amar de verdade é sentir a presença dessa pessoa sempre, mesmo quando ela está muito longe.
_ Como amar uma mulher sem sentir atraído por ela.
_ Amar é um todo. Não é só atração física.
_ É claro que não é só isso!
_ Você não sabe o que é altruísmo, solidariedade, caridade, colaboração? Num relacionamento entre um casal tem que existir isso.
_ Com certeza! Sentimos isso pelo ser humano em geral, mas na mulher que escolhemos para amar, além disso tudo tem a carnalidade palpitando e desejando sexo enquanto a libido existir.
_ Você não conseguiria, por um motivo ou outro, amar sua mulher de longe?
_ De jeito nenhum! Quando estou na cozinha e ela no quarto, já sinto que milhares de quilômetros já estão nos separando.
_ Com certeza, você não sabe diferenciar um sentimento do outro.
_ Não sei, porque não existe. Um é apenas sinônimo do outro.
_ Sua comparação é esdrúxula e ofensiva!
_ Ofensiva para você, que já tem uma opinião estereotipada e arbitrária dos  próprios pensamentos.
_ É melhor não falarmos nada. A sua ignorância me assusta.
_ A nossa diferença nos pontos de vista não me faz um ignorante. Cada um  enxerga as coisas com os próprios olhos.
_ Então você deve ser cego!
_ Não sou não. Muitas vezes o real só é visto com os olhos da alma.
_ O seu real!
_ O seu deve ser mais verdadeiro.
_ Não existe real mais real do que outro. O que você chama de real é mentira.
_ Existe sim. Existe a sua verdade, a minha e a verdade verdadeira que só Deus sabe qual é.
_ Ele sabe e nos transmite isso. Mas como você não freqüenta nenhuma igreja...
_ Cuidado que na sua igreja, o capeta esta travestido de Deus e...

 _ Você é um herege. Eu me recuso a discutir qualquer assunto com você.

sábado, 21 de junho de 2014

Desvario

Meu amor é esparso, é espasmo,
alegria desvairada.
Eu amo como quem odeia:
Desconectado e feroz.

Meu amor é pensamento,
segredo explícito.
Eu amo como quem teme:
Balbuciando e tremendo.

Meu amor é esperança,
certeza enigmática.
Eu amo como quem sabe:
inexistindo e perecendo.

Meu amor é enleio,
enlevo enfurnado.
Eu amo como amador:
Improcedente e sonhador.



Afinal, não tem profissional do amor.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Outro dia eu estava num ônibus, no trajeto ele entrou num túnel, aí não sei por que, na escuridão do mesmo, imaginei que eu tinha morrido, e antes do pensamento ganhar consistência nas trevas, eu me senti ressuscitando na saída desse túnel. Lá do outro lado me pareceu um claridade mais bonita do que antes da entrada.

Poderia a morte, ser mais ou menos isso, um processo para uma vida mais iluminada lá na frente?

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Démodé fica é quem se veste e empeteca de regras alheias. Você acha que tudo tem que ser como manda o figurino?

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A viseira do burro é uma indumentária imposta pelo homem, fazendo o pobre quadrúpede enxergar só o que tem na sua frente. O homem só não usa a indumentária, mas não enxerga as oportunidades maravilhosas que está do lado.

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Quem ama, ama, não tem meio-termo, mas ha algo diferente no amor de quem não tem medo de perder.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Não tenho mais argumentos e nem apelos, se você não voltar é porque você tinha razão.

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Saudade lancinante por saber que quase poderia ser para sempre e só não foi por um triz.

Sabe o que é chorar sobre os destroços de um amor que se imaginava indestrutível?


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terça-feira, 17 de junho de 2014

Queixa-se da mesmice e não tem a capacidade de inventar os próprios caminhos? Tente ao menos descobrir aqueles poucos percorridos que se confundem no mato crescido e que apenas precisam de desbravamento. Só assim encontrará possibilidade de novidades na sua vida batida.

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Dê-se de verdade, de corpo e alma, sem restrição nenhuma. O sentido prazeroso do estar vivo é o amor manifesto.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Deus, caladinho, como se fizesse vista grossa, aceita alguns pecadinhos.

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Quem nunca sentiu um vazio enorme e uma sensação de falta de algo que parece que é vital para poder continuar?

domingo, 15 de junho de 2014

Não porque simplesmente não foi dada ou porque você não perguntou, há respostas que ninguém sabe onde está. E um detalhe. A vida é feita disso.

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Não é fulano ou sicrano que tem o poder de lhe fazer bem ou mal, é você que concede isso ou não. Quem pode chegar tão fundo?

sábado, 14 de junho de 2014

Ninguém mora no coração do outro sem pagar aluguel a não ser que um seja extensão do outro.

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Dependendo do temperamento, absorção das coisas e personalidade, há quem encare problemas sem saber que era problema e que estava encarando. Como também há quem absorva um simples incômodo como uma tragédia.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Como Deus acredita na própria força. Ele deu a você o livre-arbítrio sabendo que você se aliaria com o diabo contra ele.

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Morramos noventa por cento para nós mesmos e ressuscitemos isso no outro. Não é gostoso imaginar um amor-próprio transformado para amar o outro? Dez por cento de amor-próprio e já nos amaremos o suficiente.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

amor é furacão

sopro do amor
é rajada de vendaval
que deixa marcas indeléveis

xxx


ejacular é pouco demais

o gozo em si é rápido
o gostoso é encontrar prazer no ir e vir
no toque, no beijo, na cumplicidade

xxx

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Concepção de religiosidade

_ Charles, por que você parou de freqüentar as igrejas?

_ Porque achava que poderia encontrar na igreja algo que poderia me ajudar a desobstruir um ponto escuro de minha personalidade, mas logo me senti superficial e estúpido.

_ Não entendi!

_ Chegando lá, ao invés de eles me ajudarem a desobstruir esta parte obscura da minha personalidade, eles queriam eram extirpá-la completamente. Eu estava apenas um pouco triste. Queria me aliviar um pouco dessa tristeza e eles queriam que eu me julgasse um hospedeiro de horrores, que eu tivesse a consciência de um grande fracasso, queriam manipular meu livre-arbítrio para me punirem e tê-los como meu consolo.

_ Eu também procurei quase pelo mesmo motivo e encontrei na religião a felicidade e tudo de importante.

_ Sim, essa concepção de espiritualidade é muito relativa. Cada um enxerga com um prisma pessoal. Eu não me absteria tanto para encontrá-la. Quando uma pessoa encontra uma coisa importante na vida, não quer dizer que precise renunciar a todas as outras. Geralmente as pessoas fazem isso com a religião e com o casamento e não conseguem manter a felicidade por muito tempo. Elas exigem fuga da rotina.

_ Mas você não acha que independentemente dos métodos usados nas igrejas ou nos templos, o que vale é a nossa intenção ao procurar e também a fé que a gente carrega dentro de nós?

_ Eu acho. É justamente a inocência do fiel que o salva. Talvez eu não tenha essa inocência. O que pude perceber é que a filosofia dos homens das igrejas é justamente de lhe mostrar que você não tem nenhuma fé e que precisa desesperadamente da ajuda deles. Eu disse “deles” e não de Deus.

_ Como assim?

_ Nos padres, reverendos, pastores, etc., a vaidade é tanta que o amor de ser idolatrado por nós é mais forte que a fé que eles deveriam ter em Deus e dos ensinamentos que eles deveriam nos passar.

_ Minha mãe é evangélica, vai aos cultos quase todos os dias. Eu sou católica e vou as missas toda semana. Tanto eu, quanto ela, nos sentimos muito bem. Não percebemos isso.


_ Ótimo! Eu também queria conseguir isso.

_ Por que não volta freqüentar às igrejas com uma nova perspectiva? Talvez você se condicionou a tomar por certo essas suas impressões.

_ Ainda não. Como eu disse ainda me falta a inocência necessária.

_ Então existem muitos inocentes, pois a cada dia as igrejas estão mais lotadas e freqüentadas diariamente pelos fiéis.

_ As pessoas, hoje, são criadas num sistema de que basta freqüentar igrejas e pronto, você estará cumprindo as suas obrigações espirituais. Quanto ao fato de ir à missa toda semana, não quer dizer muito. Tem pessoas que vão todos os dias, isso não tem nada a ver com fé e satisfação. Tem gente que não vai dia nenhum e também se sente bem. Tem pessoas que cheiram religião e não sabem o que é Deus. Muitas pessoas vão por ser vítimas de um sistema mecanizado contínuo sem ter certeza de saber o que vão encontrar. Aquela estória: “ Religião? Todo mundo tem, deve ser o certo”. Outras vão porque sabem que vão encontrar  alguém que pode inspirar simpatia e há quem vá apenas por achar aquilo tudo parecido com uma cena teatral gratuita.

_ Mas há muitos que vão porque realmente se sentem bem. É o meu caso, repito.

_ Claro, alguns vão porque realmente se encontram lá. O que eu estou querendo lhe dizer é que não precisamos de submissões para esperar pela glória ou pela paz. Ah! Eu ia me esquecendo, há os que procuram certas igrejas porque sabem que não podem chegar puros no inferno.

_ Você está fazendo piadinhas com algo sério.

 _ É sério. O fato de alguém ir às missas todos os dias não o faz um verdadeiro crente. Seria melhor até adiar algumas visitas e praticar alguma boa ação por aí. Primeiro é preciso  ser bom, para depois ser religioso. O que, é claro, não quer dizer que quem freqüenta diariamente, seja ruim. Muitas pessoas vulgares procuram pela igreja, para tentar mascarar a má índole. A usam como uma vestimenta para cobrir  alma bastarda e ímpia.


_ A religião não esconde a verdadeira conduta de ninguém. Mas
não podemos ter a presunção de julgar o teor da fé de alguém.

_ Qual o “teor” que pode existir na fé de um mau caráter?

_ Mas tem pessoas que procuram pela igreja justamente para modelar o caráter de acordo com a decência e dos bons princípios.

_ Claro que sim, mas a igreja não pode representar e querer se passar como a única tábua de salvação. Ela nunca substituirá a interioridade da pessoa. Lá sim as pessoas  estão mais propensas a encontrar Deus. Lá, sim, existe a verdade nua e crua. Quem tiver um caráter que pode ser mudado para o bem, com certeza encontrará consigo primeiro. Lá não existe simulação.

_ Mas é justamente a função da igreja. Fazer com que as pessoas encontrem essa interioridade. Além do mais, tem muitas pessoas que não são maus caráters, apenas comete algum ato errado num momento de  desespero e são convidadas com boa fé para se redimirem  e purificarem com a palavra do Senhor.

_ Sim, e quando chegam lá, como eu já disse, os comandantes das mesmas de propósito deixam transparecer que essas pessoas são mais pecadoras do que imaginam e os deixam mais apavoradas dando entender que eles precisam urgentemente deles. Eu disse “deles” e não de Deus, repito isso novamente. Entende? Eles oferecem a ponte que levam para “ o outro lado ”. Além das pessoas não saberem saber se o lado de lá oferecido é o lado certo, ainda tem que  pagar um caro pedágio pela travessia.

_ Mas realmente essas pessoas precisam de alguém que os esclareçam, você não acha? Graças à Deus as igrejas estão cada vez mais cheias.

_Eu acho. Mas só  que esses que deviam esclarecer vêm é com uma chantagem afetiva que mais tarde será transformada em dinheiro. Depois dessa transformação o pecado vai deixando de ser grave, consoante ao dízimo ou contribuição recebida. E essas pessoas ainda vão ter futuramente a missão de arrebanhar outro irmão e alcançar nele também o pecado para que passe pelo mesmo processo aprisionando-o para depois chantageá-lo. Um, matando a possibilidade da salvação do outro. A lotação de muitas igrejas é proveniente dessa caçada. É a fé sendo traída, mentida, negada. Nessas igrejas não têm projetos de amor, realizações e conquistas. Elas tem com prioridade relações baseadas no desejo financeiro, ignorando o vasto campo espiritual. Os hipócritas não nascem, são produzidos por alucinações religiosas. Eles gritam em demasia em suas igrejas, porque sabem que o silêncio os denunciariam.



_ Mas você não pode generalizar e achar que todos agem dessa maneira.

_ Claro que não. Tem igrejas boas, mas que, deixam no melhor das hipóteses,  a parte espiritual desempenhar um papel secundário. É uma pena ter que admitir que as igrejas de hoje fazem uma concorrência muito grande entre elas, igual comércio mesmo. Qual arrasta mais fiéis?(consumidores) Qual é a mais popular? Coisas assim. E pouquíssimas mostrando os desígnios e norte para os nossos destinos, e nós, os “consumidores da fé” não tem nenhum procon religioso para reclamar. Eles dividiram Deus e cada um acha que tem o pedaço melhor. É impossível viver com fé e felicidade dentro de um conjunto de convicções desse.

_ Você não encontrou nada que lhe enriqueceu espiritualmente nas igrejas?

_ Eu, se não tivesse minha filosofia de vida formada, lá eu tinha perdido a fantasia e o gosto de viver a vida. Segundo a vontade deles morreria sem gozar os prazeres deixados por Deus. Eles não dão o mínimo de liberdade para sermos felizes. A felicidade sem liberdade é impossível. A religião que eu vi por aí é muito parecida com o casamento. Eles não aceitam o ineditismo e as surpresas. Quem não sabe o que é sofrimento, aprende lá dentro. Só que eles tentam ensinar como suportar resignado a canga desse sofrimento. Eles deviam nos ensinar era agir, mas para eles não é conveniente. Eu descobri que não sou tão ruim assim. Mas a visita na igreja me enriqueceu, pois conheci pessoas maravilhosas, humildes e bem intencionadas que hoje são grandes   amigos  meus,  apesar  de  eu  não  mais ser  um “ irmão”.

_Então, na sua concepção não existe religião?

_ Existe! A que se constrói no templo íntimo. É nessa que nasce a fé perfeita.

_ Para você o que é ter fé perfeita?

_ Para mim, todo aquele que vive gostosamente a vida e tem a paixão de induzir aos outros essa sensação. É aquele que não limita o próprio ser. É aquele que não aceita superficialidades. É aquele que não é meio verdadeiro, meio amante, meio sério, meio honesto. É aquele que se não acreditasse, não seria meio ateu.

_ Será que essas pessoas não teriam como todas, um vazio que não sabem explicar?

_ É justamente quem não tem necessidade de preencher esse vazio é os que são os felizes.

_ Você foi na igreja preencher esse vazio?

_ Sim, fui! Lá não enchi o meu vazio, enchi foi o meu saco.

_ Puxa vida, não brinca, repito. E se  a religião for obrigatoriamente o caminho para o céu?

_ Primeiro é preciso entender o que de fato seja religião. Se for a que eu encontrei por aí, aí sim, terei certeza de que Deus não me quer por lá.

_ Você não consegue falar sério? Sinal que deve ter realmente melhorado. Pois o senso de humor seu é ótimo.

_ Falando sério, eu gostaria que você entendesse o que eu estou querendo lhe dizer. É no nosso interior que Deus está, é onde podemos reconhecê-lo e senti-lo arraigado em nosso ser. Depois de encontrar Deus por si mesmo e de si mesmo é que devemos procurar pelas igrejas e tirar de lá os irmãos submissos e juntá-los a nós.  Algumas pessoas, para fugir de uma infelicidade, procuram pelas igrejas, mas lá descobrem que o compromisso assumido com a religião não é um substituto para um compromisso humano. Todos nós queremos  encontrar Deus. Procuramos a religião para isso, mas geralmente elas cobram em troca dessa busca o abandono do mortal comum. A maioria dos chamados fiéis são vítimas dessa presunção de uma fé inabalada se fecham num mundo inacessível, desprezando tudo que não é conveniente aos seus anseios descobertos na igreja. Se a religião não for vivida no nível correto e também não respeitar a nossa parte animal, ela ao invés de nos fortalecer nos deixa vulneráveis a tudo e nunca encontraremos a verdadeira paz, pois ficamos cegos e subordinados à canga de seus dogmas.

_Eu  nunca escutei uma opinião tão extremista com relação a religião na boca de alguém que acredita tanto em Deus, como você.

_ Não é extremismo, não. Para mim a grande tragédia é limitar o ser
humano e fazer concessões. Eu jamais entenderei e aceitarei essas aberrações. O que existe por aí, não é a igreja que Deus imaginou. O que tem aí hoje é um absurdo. Ninguém deve ir ás igrejas de hoje perguntar o que é bom para si mesmo. Essa expressão urgente é encontrada na conseqüência de um encontro com o amor livre e não no aprisionado na conveniência das igrejas. Quantos e quantos erros se praticam em nome de uma fidelidade à certos padres, pastores, bispos, reverendos e sei lá mais o que. Quantas angústias e tormentos e desejos aprisionados para ser admirado por pessoas que por mais que tenham boas intenções não podem substituir  as nossas próprias razões.

_ Todos têm certas obrigações para cumprir, seja ela pessoal, social ou religiosa.



_ Acima dessas obrigações, meu caro, estão todos os nossos prazeres e autenticidades. Ninguém pode deixar de “ser” de verdade, para ser um produto inventado pelos outros. Podemos tudo: Amar, odiar, beijar, cuspir, atiçar fogo, afogar, ascender, declinar, avivar, suicidar. Somos a fronteira do tudo e do nada.

_ Muitos podem cair nesse buraco do nada sem terem a noção do que é fé e religião.

_ Fé e liberdade,  é cair, se preciso for, mas no buraco que nós próprio cavamos. As nossas amarguras, as nossas tristezas e nossas desolações vêm é da satisfação que temos que dar às pessoas, incluindo os religiosos. Desculpa a expressão,  mas “à puta que pariu” todos eles. Nunca mais farei nada por obrigação e imposição dos outros. Se for preciso, pego o meu surrão de couro e vou embora por esse mundão de meu Deus.

_ Meu Deus, as igrejas só existem para ratificar a nossa fé. Os padres, pastores estão lá apenas para pregarem a verdade. Sem essas verdades não somos nada.

_ Não há diferença entre um mentiroso e um pregador de verdades ordinárias. Quem pode acredita, filha, quem não, procura uma igreja. Mas uma coisa eu lhe digo: O Deus dos hipócritas não existe. Ou seja, na igreja, encontra outra coisa e chamam de Deus.

_ Qual é a sua concepção de Deus, papai?

_ Você tem bons sentimentos no coração e quer colocá-los em prática, filha?

_ Claro! Mas você não respondeu minha pergunta.

_ Então, filha. Saia do fanatismo das religiões. Diminua as visitas nos templos e pegue os seus sentimentos e... “Dê-os!”

_ Entendi.

_ Pois é. Dê os bons sentimentos para os outros e sentirá que Deus é tão somente isso. A entrega total de si, que automaticamente se torna um encontro e uma recepção divina. Dê... Dê......Deus.


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terça-feira, 10 de junho de 2014

Chega de ser fragmentado


Qualquer horas dessas vou sair por aí, sem destino, sem hora de voltar, sem garantias, não aceitando que as pessoas transformem esse mundo maravilhoso. Vou ao ritmo da natureza, cavalgando no meu amigo vento. Vou desatento, completamente absorto apenas na leveza do meu ser. Quero fazer essa tristeza e solidão que sinto no momento se transformar em energias e verdadeiramente sentir o meu calor interno.

Quero fazer um estágio com os animais, para aprender ser inocente, quero com eles, aprender “ser” sem a influência do que “fui” ou do que ainda eu possa “ser”. Nessa viagem, quero me desfazer de todos os vícios arraigados nesse mundo limitado e hipócrita para depois sair do meu refúgio  e tentar encontrar alguém que pense como eu, ou seja, que não cumpra determinações e normas para amar.

Para mim, o amor tem que estar no barulho, no silêncio, no tudo, no nada. Inteiro. Total. Integrado. Não existe excessos no ato de amar. Não aceito ficar num mundo onde “eruditam” o amor; onde temos que ter educação para amar. Para que colocar rendas, sendas e miçangas no vestido de chita do amor? O por que de ter que vagamente sugerir que amo? Não, não aceito isso, não. Eu quero é gritar pelos quatro cantos que amo.

O por que dessa relutância em ser fragmentado no amor? Adiar um amor integral? Por quê?  Qual a garantia que tenho que estarei vivo para amar como eu quero, daqui à pouco? Eu amo muito é agora...Já!

Impuseram-me condições para amar. Não aceito concessões. Veio-me a vontade de amar muito e me repreenderam. Esse mundo é muito limitado. Ele teceu elo com a letargia. Eu estou fora!

Quando eu sair desse meu mundo fechado, eu quero estar leve e completamente vazio de vícios e manias. Eu quero estar como estou aqui nesse momento, gozando todos os gozos da exuberante liberdade. Eu quero estar sendo tudo o que eu fui privado de ser.

O que estou sendo no momento? Nada! Mas uma nada que me traz felicidade. Um nada que sucumbe o tudo desse mundinho hipócrita. Mas não, eu não aproveitarei do poder desse nada para vingar o tudo que não fui. Aqui no meu mundo o ódio se transformou em amor.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Sabe o que é?


Sabe o que é...

O nascer de um sol?

O pôr de um sol?

A rebentação das ondas numa praia?

Ouvir e ver um passarinho numa bela árvore?

Ser um pouco altruísta nesse mundo tão desigual?

Trocar um mundinho tão morno pela sensação de um apaixonar?

Respeitar a dor do coração de um semelhante?

Sabe o que é...

Parar com esse excesso de auto-proteção que te faz previsível demais?

Andar tranquilo fazendo o bem por aí sem se preocupar com reconhecimento e ter aquela certeza que Deus está com você?

Preocupar com coisas pequenas tendo você esse mundo interior tão bonito?

Conscientizar que o amor sempre tem razão, embora sintamos torturados quando ele vai embora?

Mandar a razão para o inferno e com o coração sempre vulnerável, mesmo ás vezes sofrendo, ter a certeza que só assim se chega aos céus?

Tentar entender que o a vida é fugaz e que o ano que passou você não fez nada que pudesse fazer você renascer para uma vida mais plena?


Começar um novo ano com uma verdadeira vontade de fazer algo diferente em prol de sua felicidade e saber que você é capaz?

domingo, 8 de junho de 2014

Salve os Loucos


De repente, um dia, fique apático, com o sono alterado e triste, completamente sem vontade e me sentindo no caos.

(Fui considerado invisível, porque simplesmente ninguém me viu)

De outra vez, fiquei super-excitado, eufórico em demasia e muito alegre.

(Fui considerado um extravagante, um louco, um monstro e um perigo social)

Para não desagradar os outros, entrei em conflito comigo mesmo e perdi o vínculo com toda a verdade, acabando por me tornar um fantoche. Por ter consciência dessa minha vulnerabilidade acabei por ter vontade de fumar uma maconha, cheirar uma cocaína ou qualquer outra droga que me livrasse dessa covardia

(Fui considerado um doente mental que precisava de um manicômio)

Para evitar ser prisioneiro de um hospital e de medicamentos que me dopavam mais do que a própria droga, me refugiei num mundo particular e fui obrigado a negar todas as realidades externas e não interessei por mais ninguém.

(Fui considerado um ser normal, porque dobrei á canga do conformismo)

Já fui excepcionalmente feliz um dia, mas essa minha profundidade em ser feliz agrediu a sociedade arbitrária e hipócrita que me reprimiu e me chamou de depressivo, psicótico, neurótico, paranoico, esquizofrênico e fora dos padrões do que se considerava normal.

Pudesse eu, novamente, ter uma recaída e nunca mais voltar ao que chamam por aí de ‘normal’ e ser de novo um feliz débil mental.

Salve os loucos!


sábado, 7 de junho de 2014

“Sendo” de verdade, sem subterfúgios.


Chorei, chorei, copiosamente chorei. Chorei por ter consciência dos anos perdidos em minha vida. Perdidos, por não tê-los vivido com ardor, com garra e amor.

Para que uma mesquinha moralidade?

Para que apropriar-me de um ser que não sou eu?

Para que a loucura de procurar subterfúgios em tudo?

Para que dissolver minha personalidade apenas para seguir conveniências sociais?

Para que deixar de ser eu mesmo para alguém ter que me suportar, se em troca, eu não me suportarei?

Se eu fiz o bem, se eu chorei, se eu sorri, se eu amei, não foi com a intensidade e a profundidade que deveria, mas agora... Chega!

Cansei de meias verdades, cansei de tudo pela metade.

Chega de faz de conta!

Chega de “ser” e ter de mentira.

Chega de “sub. ter”. Fujo!

Fujo para precipitar de modo próprio o meu caminho e a minha verdade. Quero ter e ser tudo por inteiro. Chega de concessões! A força que eu fazia para agradar os outros me roubava a vida.

Devolvo a mim nesse momento a vida que deixei levar. Descobri que tenho o poder de sublimar tudo. Gestos, tentativas e intuições, tudo vem é do meu interior.

De hoje em diante os meus eus invividos não vão mais se envenenar com regras e exortações. Parei de fazer acordos! Parei de negociar meus dias e minhas horas! Cansei da monotonia do conhecido, do habitual! Hoje começo explorar o inédito. Hoje começo a relacionar-me com pessoas que me devolvem a vida que outras levaram! Hoje vou dar beijos verdadeiros, não quero sorver apenas hálito! Quero energia e amor! Parei com artificialidades! Hoje quero a essência do ser humano e de meu próprio ser!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Medo da entrega

Somos medrosos e egoístas porque sabemos que o amor nos deixa vulneráveis e completamente entregues, e por isso corremos e escondemos dele.

Por que fazemos isso? Por que não gostamos da entrega total?

Parece ridículo assumir que se é apaixonado por alguém. Temos medo de nos expor e achar que demonstramos amar mais do que o outro. Por fraqueza de espírito e por orgulho e muitas vezes por preocuparmos com o que os outros pensam dessa nossa entrega, abandonamos o amor para nos mostrar fortes e donos da situação.

Como somos ingênuos, meu Deus! Pouquíssimo tempo depois de fazer isso, sofremos muitos mais. O arrependimento e a consciência de que aquele amor poderia ter se tornado a realização de tudo que já sonhamos um dia, nos torturam impiedosamente.

Então, fica claro: O que nos faz sentir maltratado, o que nos faz derramar lágrimas e sofrer não é o amor e sim a nossa falta de coragem, é a nossa covardia e a nossa fraqueza e pobreza de espírito.



Precisamos entender que amar alguém sempre valerá a pena e que a dor desse amor, depois de rompido, será sempre menor do que a frustração de não tê-lo vivenciado com mais ardor e se remoer pela possibilidade de perder a oportunidade de talvez de ter se tornado a pessoa mais feliz do mundo.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

És fiel de verdade ou só é medroso?

Aposto que se você tivesse certeza absoluta de que ninguém jamais saberia, seria capaz de cometer uma traição.

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Querendo algo e até sentindo algo, mas...parado, acreditando que tudo tem seu tempo, não é, maria resignada da silva?

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Viver é querer, desejar, quase sempre nunca conseguir, mas nunca deixar de tentar buscar.

Você acha que a vida reinaria na satisfação?

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Há quem ande com seu carro por um atalho esburacado para economizar gasolina, como você, que abre mão de prazeres com medo de dores inevitáveis. Não faça como o dono do carro. Não percebe que perde o que economizou na oficina?

terça-feira, 3 de junho de 2014

Até quando

Até quando você vai ficar numa casa sem ruído, esperando a morte, doce e resignada, respirando um ar podre de um casamento morto?

Não sente entrando pelas frestas da janela a correnteza de um vento livre e puro que corre lá fora?

Não quer ser livre e se tornar verdadeiramente mulher?

Não quer dançar a dança das fêmeas?

Não quer conhecer o amor e trocá-lo por esse sentimento que apenas sufoca?


Não é porque acabou que sua história de amor deixou de ser linda.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A garota de programa


A garota de programa existe para satisfazer o desejo físico de quem não quer se comprometer com uma piranha clássica.

A garota de programa existe para satisfazer o desejo físico de quem não tem a capacidade de conquistar uma mulher que não vende o seu corpo, mas que só transa se sentir alguma coisa diferente da simples entrega do corpo.

A garota de programa existe porque tem mulher que sabe assumir que não é possível um amor normal com o desejo desenfreado do sexo.

A garota de programa existe porque sabe que velha de programa é o último recurso.

A garota de programa só existe enquanto não aparece aquele que também desnuda o mais íntimo de seu ser.

A garota de programa, a prostituta, ou seja lá como são chamadas, são seres humanos que optaram, na maioria das vezes, não por falta de caráter, mas por falta de opção, oportunidade e respeito de muitos de nós, por uma maneira um pouco sádica de ganhar dinheiro para sustentar a sua vida e a de muitos que dependem delas.

A garota de programa geralmente é uma pessoa dócil, delicada, bem humorada e, apesar da vida que levam, acabam por ensinar que a felicidade é uma questão mesmo de temperamento e não condicionada ás contingências da vida.

Eu nunca transei com uma mulher que assumisse que fosse garota de programa, mas eu não sei dizer por que, eu gosto delas.


Gostaria que isso fosse considerado como minha homenagem e que cada uma delas encontrasse alguém para amar de verdade e ser o maior programa da vida de alguém.

domingo, 1 de junho de 2014

Nós, humanos.

Há pessoas ladinas, que sabem o que esperamos delas, e, para não nos decepcionar, tendo em vista isso apenas como parte de seus planos para conseguirem exatamente o que pretendem de nós, acabam "confirmando" as nossas expectativas.

(Os oportunistas)

Há pessoas de personalidade vulnerável, que revelam exatamente o que esperamos delas; mas são sentimentos impingidos e projetados pela nossa exigência, e não sentimentos de descobertas interiores próprias.

(Os fracos e superficiais.)

Há pessoas que não correspondem às nossas expectativas e nem fazem a mínima questão para isso acontecer.

(Os indiferentes)

Há pessoas que forçam situações somente para nos contrariar sem um motivo aparente.

(Os inimigos e os chatos)

Há pessoas que preocupam com a gente indiferentemente de nossa maneira ou comportamento, porque acham que podem nos melhorar.

(Os que nos amam)



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