quinta-feira, 16 de janeiro de 2014


Encontro 

São duas horas, escuto o silencioso barulho da madrugada. Nesse instante, intensamente vivo. Sinto concretizar em mim o que estava nas reticências.

Choro, mas lá no fundo o som desse choro se ricocheteia e seu eco volta num estrondoso sorriso. Então, rio, rio às gargalhadas e descubro que é esse o verdadeiro riso: O eco de um choro.

Nesse instante não preciso usar disfarce, me soltei, libertei. Prosperei.

Não existe bem-mal, angústia-paz, moral-imoral, igual-diferente. Nesse momento ultrapassei tudo, transcendi.

Nesse momento não existe impulsos contidos. Sou um super-homem sem ser diferente de ninguém, só não sou mais estático, vou além. Não sou joguete de mim mesmo e de mais ninguém.

Nesse momento não sei exatamente o que estou fazendo: Externando o meu ser? Descrevendo? Só sei que transbordo todas as minhas convicções, fazendo barulho nas entrelinhas.

Nesse momento os conflitos de minha insegurança lutam com a convicção de minha transcendência.

O que escrevo agora é o resultado dessa luta que não consigo reter dentro de meu ser.

Estou transbordando. Pouco me importa saber se essa vazão é dissonante, sem nexo, sem poesia, mas dos meus poros exalam o que eu queria.