terça-feira, 31 de março de 2015

Coisa acostumada
Tudo igual todo dia
Aff...que antipatia

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Simples e maravilhosa

minha mulher é como arroz e feijão
não enjoo nunca, é gostoso e


me alimenta sempre

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Ouvidos previsíveis
Só ouvem barulhos.
Meu grito é mudo!

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segunda-feira, 30 de março de 2015

amor é furacão

sopro do amor
é rajada de vendaval
que deixa marcas indeléveis

xxx

ejacular é pouco demais

o gozo em si é rápido
o gostoso é encontrar prazer no ir e vir
no toque, no beijo, na cumplicidade


xxx

domingo, 29 de março de 2015

você merece amor

estou na minha fase galinha
você não é mais uma
abstenho de você, por você

--

Enlaçado

não estou disponível
marcado como dela
 terreno dominado

sábado, 28 de março de 2015

incompatibilidade

uma mulher de feição séria
sem meiguice e ternura?
numa mulher só vejo amor

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Inexistência

uma parte sua é passado
a outra, futuro

não fica nada para o agora.

sexta-feira, 27 de março de 2015

vício

bebo e fumo
nada a ver
pecado é dormir sem você

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um amor que já foi

preso a um punhado de tristeza
amar quem não mais existe
caminho da loucura

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sexo sem amor

abraço, beijo, sexo
orgasmo e prazer

depois...o que fazer?

quinta-feira, 26 de março de 2015

por um triz

amor foi evidenciado
mas não foi consumido
saudade assim também dói

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venceu

o mundo gira, tudo muda
novas vidas, novas pessoas
passou, passou

--




quarta-feira, 25 de março de 2015


casa geminada

sem precisar saltar a cerca,
sei de tudo, até dos pormenores.
o marido parece ser eu!

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Eu sem você
Você sem mim
Inexistência – somos um par

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Indo além

gostou demais, excedeu
passou de onde quis chegar
amor é amor, mais que isso não há

--



terça-feira, 24 de março de 2015




Requebra que eu te dou um doce!

                                     (A um louco muito especial)

Quem de nós, moradores dos Bairros Morrinhos, Vila Guilhermina e adjacências, aqui em Montes Claros, que já não deparou com o famoso e folclórico Raimundo Requebra, ou simplesmente "Requebra", com o seu exótico e particular jeito de ser.
Há 30 anos morando na Vila Guilhermina, acostumei com o seu palavreado nada convencional, geralmente provocado por alguma criança, que, como eu, nos meus tempos, escondia de algum lugar e gritava: "Ô, requebra!".   Sim, Raimundo adorava rebolar, imitar uma mulher, mas não admitia que o chamassem de Requebra.
Meus filhos hoje, fazem o mesmo. Escondem e quando ele aproxima, gritam e provocam o Requebra, também chamado por alguns de "Xêpa". Mas não são só as crianças que  gostam de provocar o Raimundo, não; nós, adultos, também. Eu, por exemplo, deixava o aparelho de som ligado a toda altura, preparava uma fita cassete de uma banda baiana chamada "Olodum", que tinha uma música que repetia várias vezes o seu apelido, e, quando ele estava por perto, eu apertava a tecla de pausa, que ficava suspensa como uma armadilha, propositadamente preparada para desarmá-la naquele ponto e naquele momento.
Há quase dois anos que o Raimundo requebra desapareceu, cogita-se até como certa a sua morte. Sumiram com Requebra, essa inofensiva criatura vítima de tantas covardias e indiferenças por parte de muitos seres chamados de humanos.

Raimundo, você que já suportou tanto espancamento, até a água fervendo no corpo  já resistiu. Você já suportou absurdos, "Rai", não é possível que liquidaram com você. Não! Se você desapareceu, foi porque bem quis, eu sei.
Cadê você,Raimundo? Você nunca demorou tanto a nos "encher o saco"!   Cadê você, Raimundo, que, através de gestos e gritos, ensinou todos os meus filhos a falar palavrões indecentes? Cadê você, Raimundo, que me obrigava a comprar um maço de cigarros, eu, que não fumo, só para todo dia lhe dar um e ter certeza que o veria, para, na verdade, através de você, saber sobre o meu próprio destino? Cadê você, Raimundo, que uma vez surpreso com um comportamento estranho meu, sabendo que não me era peculiar ficar carrancudo, simplesmente me disse: _Pense, pense, mas depois, dispense, se não você fica doido, viu?

Conversei com muitos a respeito de Raimundo, mas ninguém sabe de completo que é ele. Ele é indizivelmente ameaçado, complicado, frágil.  

Raimundo é só um pressentimento, nunca uma afirmação, é uma nostalgia que se confunde com a própria natureza em busca de sua verdadeira forma e possibilidade, porque sabe que a verdadeira paz não vem dos caminhos racionais.
 
Quantas vezes eu me pergunto se Raimundo é de fato um doido ou, simplesmente, um homem muito corajoso que vive o perigo, a morte, o medo e anda peregrinando indisciplinado, com sonoras gargalhadas, cheio de sonhos, apenas porque é um enamorado da vida.
Eu não posso imaginar que alguém teve coragem de matar  alguém que só tinha a vida como patrimônio e por isso mesmo tinha como importante só o viver.
Raimundo é amor e a prova dele, porque amor mesmo é sorriso na dor. Raimundo era um eremita, e quem tinha a oportunidade de conversar com ele, como eu, sabia que ele era não só um andarilho inconsciente, ele era acima de tudo, um sábio gozador. Ele foi o último dos extravagantes. Extravagante, por ser autêntico demais.
Se acabaram com o Raimundo é porque sabiam que ele era um herói que jamais iria fugir do seu destino e nem tentaria modificá-lo. Se acabaram com o "Xêpa" é porque morriam de inveja dele ter sido o escolhido pela natureza para ser o humano que representasse e expressasse a liberdade absoluta. Ele era "ele" mesmo.

"Por isso mesmo meu querido Xêpa, paro nesse momento de me lamentar, porque sei que você sempre será "você" onde estiver. Nesse momento, depois de quase um ano de espera, pego novamente aquela fita de olodum que sempre está no ponto de chamar por você, ligo o som, aperto o "play" e onde você estiver, com certeza, curtindo com a cara de alguém, escute como se fosse a voz de nós todos que sentimos saudades de você:


"Requebra, requebra sim, pode falar, poder rir..."

segunda-feira, 23 de março de 2015

Natal

Durante todo o ano apregoamos a solidariedade, o amor e a paz, mas nessa época vem a consciência e a certeza de que pensamos muito, sentimos muito e não exprimimos nada em ação.

Apesar do natal de hoje não mais externar o seu verdadeiro sentido, ele ainda se torna muito importante, porque ainda desperta essa consciência de nossa inércia. É por isso que algumas pessoas nessa época sentem uma leve indisposição interior, uma certa nostalgia. Ela é causada por isso, pela consciência de nossa mesquinhez e egoísmo. De que adianta passar todo o ano “em branco” e no Natal se dar conta disso?

E agora não adianta querer descarregar a consciência pesada comprando uns presentinhos descartáveis. Se tivermos bons sentimentos durante todo o ano, porque não os exprimir em ação continuamente?

Não estou falando só de presentes materiais, estou falando também de presentes espirituais como solidariedade, afeto, compreensão, tolerância, paz e amor.

Por que não sermos amorosos no dia-a-dia? Temos que parar de desviar os focos das atenções só para nós mesmos. Nos consideramos uns coitadinhos, que nos tomamos todo o tempo e dedicação.

Que o verdadeiro sentido do Natal, o nascimento de Cristo, esse homem que foi um exemplo de vida, nos faça reaver nossas atitudes do cotidiano e destrua esse nosso egoísmo, para que imediatamente o troquemos pela reciprocidade de sentimentos com os nossos irmãos.

Que no próximo natal troquemos essa nostalgia, sentida hoje, por uma sensação de tranquilidade e paz ocasionada pela certeza da doação física, espiritual e material no decorrer de todo o ano.

Que a nossa homenagem, que nossa maneira de expressar o amor por Jesus Cristo seja externada com gestos contínuos de solidariedade, de carinho, de afeto, de tudo que é maravilhoso.

Que nosso “sentimento de culpa” e a nostalgia, que fazem aniversário em todo Natal, sejam substituídos por uma felicidade imensa e por uma certeza gratificante de Que Jesus Cristo zela por nós.


xxxxxxxx

domingo, 22 de março de 2015

Barzinhos

De todos os barzinhos que me foi dado conhecer nos meus caminhos, dois foram de longe e sem a menor dúvida os mais extraordinários que conheci: Barzinho Skalla e barzinho do Tio Pedro, ambos localizados na Vila Guilhermina, aqui em Montes Claros. De propriedade de Reinaldo e Haroldo. Figuraças que se tornaram grandes amigos meus.Todo boteco tem cenas pitorescas, mas no caso do Skalla e do Tio Pedro eram especiais, pois quase sempre os seus proprietários é que são os protagonistas dos acontecimentos.

De uma forma geral, o botequeiro não pode ser um homem como qualquer outro. É preciso que ele tenha, antes de qualquer coisa, uma boa dose de paciência e muito carisma. No caso dos proprietários dos barzinhos aqui citados, não faltavam essas qualidades, mas como tudo na vida tem limite, ás vezes eles não se continham.

Vou narrar alguns acontecimentos que eu presenciei:

No barzinho Skalla, duas moças estavam bebendo, e na hora de acertar a conta houve um impasse: uma das moças alegava que Reinaldo estava cobrando uma cerveja a mais, fato que muito o irritou, mas tentando manter a calma explicava que ele não estava enganado e que a conta era aquela mesma. A moça não concordava de jeito nenhum e insinuou que ele estava roubando. Ele perdeu a paciência e começou a discutir freneticamente por muito tempo. Eu e a moça amiga da outra que discutia, tentamos interferir e nada deles nos escutarem, continuando a discussão. Já passado algum tempo, e com os argumentos xingatórios se esgotando, a moça, visivelmente abatida, encerrou dizendo:

_ Vou parar por aqui, seu grande idiota!
Reinaldo para não sair perdendo na discussão, por fim, disse:
_ Idiota? Idiota? Idiota está no meio de suas pernas!

Nesse mesmo barzinho, eu me lembro de uma noite ter recebido dos dois proprietários R$40,00 (Quarenta reais) de cada um que, coincidentemente, me pagavam uma dívida contraída há alguns dias e me pediram para não comentar que haviam me pagado. Até aí, tudo bem. Só que ficamos tomando cerveja até mais tarde e já quando fechavam o caixa, apontava uma diferença contra eles de R$80,00 (Oitenta reais), justamente o valor que recebi deles. Provavelmente ambos pegaram o dinheiro do movimento daquele dia sem comunicar um com o outro, mas como tinham a consciência pesada, não comentaram muito sobre o "prejuízo". Ambos olharam para mim desconfiados, e resignados com o ocorrido disseram: "Deus nos proverá"
O barzinho do Tio Pedro, que antes era de propriedade de minha amiga Tereza, que hoje mora em Caraguatatuba, no litoral paulista, também era o nosso ponto de encontro. Rei e Haroldo depois de irem à bancarrota no Skalla, tentaram uma nova investida e o compraram de Tereza.

Nesse barzinho, o muro tinha na sua parte interna várias pinturas bonitas, o que decorava o barzinho no seu interior. Dentre as várias figuras desenhadas, tinha a de uma fazenda cheia de gado, com um curral de cerca de arame, na qual tinha uma das fileiras arrebentadas, o que deixava a pintura muito original. Estava a turma toda tomando uma cervejinha próxima ao balcão de atendimento, tendo como assunto principal a dor de cotovelo que um dos nossos amigos curtia. Ele estava sentado propositadamente afastado de nós, bem próximo ao muro, quando de repente ele se levantou e saiu em disparada rua a fora, nos deixando embasbacados com a sua atitude. Tivemos que pegar um carro e já alcançá-lo depois da rodoviária, todo ofegante e trêmulo. O levamos de volta e lhe demos um bom banho para recuperá-lo da embriaguez, e quando um pouco melhor ele tentava explicar que correu, porque estava com a camisa vermelha e viu uma das vacas sair do muro, bufando de raiva em sua direção. Começávamos todos a nos preocupar com o seu estado psíquico, uma vez que uma semana a estes fatos ele tinha batido de frente no muro com sua motocicleta, no desenho de uma estrada que tinha ao lado do portão. Mas verificamos mais tarde, que não era nada sério. Quando reatou o namoro com sua grande paixão, voltou a beber pouco e controlar os impulsos. "Cada um curte a dor de cotovelo a sua maneira, ora essa", dizia ele, quando a turma pegava no seu pé para gozá-lo de suas atitudes poucos convencionais.

E por falar em atitudes não convencionais, esse nosso mesmo amigo, que é o sujeito mais "pão-duro" que se pode conhecer, conseguiu irritar Haroldo, sócio de Reinaldo, que é o sujeito mais calmo desse mundo. Haroldo, para morrer de repente, deve demorar três dias, no mínimo. Estávamos tomando uma cervejinha, eu, Haroldo e o dito cujo quando de repente o celular dele tocou, e a namorada exigiu a sua presença em certo lugar, imediatamente. Tínhamos tomado apenas uma cerveja, e ele queria pagar a parte dele na conta, e não sabia o valor. Propusemos a ele dividir o valor da cerveja por três. Ele não concordava, alegando que estava saindo e ainda tinha cerveja na garrafa, e que dessa forma ele pagaria mais do que devia. Haroldo propôs pagar a cerveja, mas eu, de picardia, dei a entender a Haroldo que não pagasse, só pra ver até onde ele chegaria. Pois ele, com a ajuda de uma calculadora, fez uma regra de três composta e mais algumas outras contas para, com precisão, afirmar que tinha consumido apenas 112 ml. Dividiu o valor da cerveja pelo seu volume líquido e depois multiplicou pela tanto que bebeu. Nesse ínterim, a sua namorada já havia ligado mais umas quatro vezes, e eu e Haroldo tomamos mais umas três cervejas.

Pode parecer conversa de botequeiro, mas todos esses três casos foram a pura verdade.




sábado, 21 de março de 2015

Concepção de religiosidade

_ Charles, por que você parou de freqüentar as igrejas?

_ Porque achava que poderia encontrar na igreja algo que poderia me ajudar a desobstruir um ponto escuro de minha personalidade, mas logo me senti superficial e estúpido.

_ Não entendi!

_ Chegando lá, ao invés de eles me ajudarem a desobstruir esta parte obscura da minha personalidade, eles queriam eram extirpá-la completamente. Eu estava apenas um pouco triste. Queria me aliviar um pouco dessa tristeza e eles queriam que eu me julgasse um hospedeiro de horrores, que eu tivesse a consciência de um grande fracasso, queriam manipular meu livre-arbítrio para me punirem e tê-los como meu consolo.

_ Eu também procurei quase pelo mesmo motivo e encontrei na religião a felicidade e tudo de importante.

_ Sim, essa concepção de espiritualidade é muito relativa. Cada um enxerga com um prisma pessoal. Eu não me absteria tanto para encontrá-la. Quando uma pessoa encontra uma coisa importante na vida, não quer dizer que precise renunciar a todas as outras. Geralmente as pessoas fazem isso com a religião e com o casamento e não conseguem manter a felicidade por muito tempo. Elas exigem fuga da rotina.

_ Mas você não acha que independentemente dos métodos usados nas igrejas ou nos templos, o que vale é a nossa intenção ao procurar e também a fé que a gente carrega dentro de nós?

_ Eu acho. É justamente a inocência do fiel que o salva. Talvez eu não tenha essa inocência. O que pude perceber é que a filosofia dos homens das igrejas é justamente de lhe mostrar que você não tem nenhuma fé e que precisa desesperadamente da ajuda deles. Eu disse “deles” e não de Deus.

_ Como assim?

_ Nos padres, reverendos, pastores, etc., a vaidade é tanta que o amor de ser idolatrado por nós é mais forte que a fé que eles deveriam ter em Deus e dos ensinamentos que eles deveriam nos passar.

_ Minha mãe é evangélica, vai aos cultos quase todos os dias. Eu sou católica e vou as missas toda semana. Tanto eu, quanto ela, nos sentimos muito bem. Não percebemos isso.


_ Ótimo! Eu também queria conseguir isso.

_ Por que não volta freqüentar às igrejas com uma nova perspectiva? Talvez você se condicionou a tomar por certo essas suas impressões.

_ Ainda não. Como eu disse ainda me falta a inocência necessária.

_ Então existem muitos inocentes, pois a cada dia as igrejas estão mais lotadas e freqüentadas diariamente pelos fiéis.

_ As pessoas, hoje, são criadas num sistema de que basta freqüentar igrejas e pronto, você estará cumprindo as suas obrigações espirituais. Quanto ao fato de ir à missa toda semana, não quer dizer muito. Tem pessoas que vão todos os dias, isso não tem nada a ver com fé e satisfação. Tem gente que não vai dia nenhum e também se sente bem. Tem pessoas que cheiram religião e não sabem o que é Deus. Muitas pessoas vão por ser vítimas de um sistema mecanizado contínuo sem ter certeza de saber o que vão encontrar. Aquela estória: “ Religião? Todo mundo tem, deve ser o certo”. Outras vão porque sabem que vão encontrar  alguém que pode inspirar simpatia e há quem vá apenas por achar aquilo tudo parecido com uma cena teatral gratuita.

_ Mas há muitos que vão porque realmente se sentem bem. É o meu caso, repito.

_ Claro, alguns vão porque realmente se encontram lá. O que eu estou querendo lhe dizer é que não precisamos de submissões para esperar pela glória ou pela paz. Ah! Eu ia me esquecendo, há os que procuram certas igrejas porque sabem que não podem chegar puros no inferno.

_ Você está fazendo piadinhas com algo sério.

 _ É sério. O fato de alguém ir às missas todos os dias não o faz um verdadeiro crente. Seria melhor até adiar algumas visitas e praticar alguma boa ação por aí. Primeiro é preciso  ser bom, para depois ser religioso. O que, é claro, não quer dizer que quem freqüenta diariamente, seja ruim. Muitas pessoas vulgares procuram pela igreja, para tentar mascarar a má índole. A usam como uma vestimenta para cobrir  alma bastarda e ímpia.


_ A religião não esconde a verdadeira conduta de ninguém. Mas
não podemos ter a presunção de julgar o teor da fé de alguém.

_ Qual o “teor” que pode existir na fé de um mau caráter?

_ Mas tem pessoas que procuram pela igreja justamente para modelar o caráter de acordo com a decência e dos bons princípios.

_ Claro que sim, mas a igreja não pode representar e querer se passar como a única tábua de salvação. Ela nunca substituirá a interioridade da pessoa. Lá sim as pessoas  estão mais propensas a encontrar Deus. Lá, sim, existe a verdade nua e crua. Quem tiver um caráter que pode ser mudado para o bem, com certeza encontrará consigo primeiro. Lá não existe simulação.

_ Mas é justamente a função da igreja. Fazer com que as pessoas encontrem essa interioridade. Além do mais, tem muitas pessoas que não são maus caráters, apenas comete algum ato errado num momento de  desespero e são convidadas com boa fé para se redimirem  e purificarem com a palavra do Senhor.

_ Sim, e quando chegam lá, como eu já disse, os comandantes das mesmas de propósito deixam transparecer que essas pessoas são mais pecadoras do que imaginam e os deixam mais apavoradas dando entender que eles precisam urgentemente deles. Eu disse “deles” e não de Deus, repito isso novamente. Entende? Eles oferecem a ponte que levam para “ o outro lado ”. Além das pessoas não saberem saber se o lado de lá oferecido é o lado certo, ainda tem que  pagar um caro pedágio pela travessia.

_ Mas realmente essas pessoas precisam de alguém que os esclareçam, você não acha? Graças à Deus as igrejas estão cada vez mais cheias.

_Eu acho. Mas só  que esses que deviam esclarecer vêm é com uma chantagem afetiva que mais tarde será transformada em dinheiro. Depois dessa transformação o pecado vai deixando de ser grave, consoante ao dízimo ou contribuição recebida. E essas pessoas ainda vão ter futuramente a missão de arrebanhar outro irmão e alcançar nele também o pecado para que passe pelo mesmo processo aprisionando-o para depois chantageá-lo. Um, matando a possibilidade da salvação do outro. A lotação de muitas igrejas é proveniente dessa caçada. É a fé sendo traída, mentida, negada. Nessas igrejas não têm projetos de amor, realizações e conquistas. Elas tem com prioridade relações baseadas no desejo financeiro, ignorando o vasto campo espiritual. Os hipócritas não nascem, são produzidos por alucinações religiosas. Eles gritam em demasia em suas igrejas, porque sabem que o silêncio os denunciariam.



_ Mas você não pode generalizar e achar que todos agem dessa maneira.

_ Claro que não. Tem igrejas boas, mas que, deixam no melhor das hipóteses,  a parte espiritual desempenhar um papel secundário. É uma pena ter que admitir que as igrejas de hoje fazem uma concorrência muito grande entre elas, igual comércio mesmo. Qual arrasta mais fiéis?(consumidores) Qual é a mais popular? Coisas assim. E pouquíssimas mostrando os desígnios e norte para os nossos destinos, e nós, os “consumidores da fé” não tem nenhum procon religioso para reclamar. Eles dividiram Deus e cada um acha que tem o pedaço melhor. É impossível viver com fé e felicidade dentro de um conjunto de convicções desse.

_ Você não encontrou nada que lhe enriqueceu espiritualmente nas igrejas?

_ Eu, se não tivesse minha filosofia de vida formada, lá eu tinha perdido a fantasia e o gosto de viver a vida. Segundo a vontade deles morreria sem gozar os prazeres deixados por Deus. Eles não dão o mínimo de liberdade para sermos felizes. A felicidade sem liberdade é impossível. A religião que eu vi por aí é muito parecida com o casamento. Eles não aceitam o ineditismo e as surpresas. Quem não sabe o que é sofrimento, aprende lá dentro. Só que eles tentam ensinar como suportar resignado a canga desse sofrimento. Eles deviam nos ensinar era agir, mas para eles não é conveniente. Eu descobri que não sou tão ruim assim. Mas a visita na igreja me enriqueceu, pois conheci pessoas maravilhosas, humildes e bem intencionadas que hoje são grandes   amigos  meus,  apesar  de  eu  não  mais ser  um “ irmão”.

_Então, na sua concepção não existe religião?

_ Existe! A que se constrói no templo íntimo. É nessa que nasce a fé perfeita.

_ Para você o que é ter fé perfeita?

_ Para mim, todo aquele que vive gostosamente a vida e tem a paixão de induzir aos outros essa sensação. É aquele que não limita o próprio ser. É aquele que não aceita superficialidades. É aquele que não é meio verdadeiro, meio amante, meio sério, meio honesto. É aquele que se não acreditasse, não seria meio ateu.

_ Será que essas pessoas não teriam como todas, um vazio que não sabem explicar?

_ É justamente quem não tem necessidade de preencher esse vazio é os que são os felizes.

_ Você foi na igreja preencher esse vazio?

_ Sim, fui! Lá não enchi o meu vazio, enchi foi o meu saco.

_ Puxa vida, não brinca, repito. E se  a religião for obrigatoriamente o caminho para o céu?

_ Primeiro é preciso entender o que de fato seja religião. Se for a que eu encontrei por aí, aí sim, terei certeza de que Deus não me quer por lá.

_ Você não consegue falar sério? Sinal que deve ter realmente melhorado. Pois o senso de humor seu é ótimo.

_ Falando sério, eu gostaria que você entendesse o que eu estou querendo lhe dizer. É no nosso interior que Deus está, é onde podemos reconhecê-lo e senti-lo arraigado em nosso ser. Depois de encontrar Deus por si mesmo e de si mesmo é que devemos procurar pelas igrejas e tirar de lá os irmãos submissos e juntá-los a nós.  Algumas pessoas, para fugir de uma infelicidade, procuram pelas igrejas, mas lá descobrem que o compromisso assumido com a religião não é um substituto para um compromisso humano. Todos nós queremos  encontrar Deus. Procuramos a religião para isso, mas geralmente elas cobram em troca dessa busca o abandono do mortal comum. A maioria dos chamados fiéis são vítimas dessa presunção de uma fé inabalada se fecham num mundo inacessível, desprezando tudo que não é conveniente aos seus anseios descobertos na igreja. Se a religião não for vivida no nível correto e também não respeitar a nossa parte animal, ela ao invés de nos fortalecer nos deixa vulneráveis a tudo e nunca encontraremos a verdadeira paz, pois ficamos cegos e subordinados à canga de seus dogmas.

_Eu  nunca escutei uma opinião tão extremista com relação a religião na boca de alguém que acredita tanto em Deus, como você.

_ Não é extremismo, não. Para mim a grande tragédia é limitar o ser
humano e fazer concessões. Eu jamais entenderei e aceitarei essas aberrações. O que existe por aí, não é a igreja que Deus imaginou. O que tem aí hoje é um absurdo. Ninguém deve ir ás igrejas de hoje perguntar o que é bom para si mesmo. Essa expressão urgente é encontrada na conseqüência de um encontro com o amor livre e não no aprisionado na conveniência das igrejas. Quantos e quantos erros se praticam em nome de uma fidelidade à certos padres, pastores, bispos, reverendos e sei lá mais o que. Quantas angústias e tormentos e desejos aprisionados para ser admirado por pessoas que por mais que tenham boas intenções não podem substituir  as nossas próprias razões.

_ Todos têm certas obrigações para cumprir, seja ela pessoal, social ou religiosa.



_ Acima dessas obrigações, meu caro, estão todos os nossos prazeres e autenticidades. Ninguém pode deixar de “ser” de verdade, para ser um produto inventado pelos outros. Podemos tudo: Amar, odiar, beijar, cuspir, atiçar fogo, afogar, ascender, declinar, avivar, suicidar. Somos a fronteira do tudo e do nada.

_ Muitos podem cair nesse buraco do nada sem terem a noção do que é fé e religião.

_ Fé e liberdade,  é cair, se preciso for, mas no buraco que nós próprio cavamos. As nossas amarguras, as nossas tristezas e nossas desolações vêm é da satisfação que temos que dar às pessoas, incluindo os religiosos. Desculpa a expressão,  mas “à puta que pariu” todos eles. Nunca mais farei nada por obrigação e imposição dos outros. Se for preciso, pego o meu surrão de couro e vou embora por esse mundão de meu Deus.

_ Meu Deus, as igrejas só existem para ratificar a nossa fé. Os padres, pastores estão lá apenas para pregarem a verdade. Sem essas verdades não somos nada.

_ Não há diferença entre um mentiroso e um pregador de verdades ordinárias. Quem pode acredita, filha, quem não, procura uma igreja. Mas uma coisa eu lhe digo: O Deus dos hipócritas não existe. Ou seja, na igreja, encontra outra coisa e chamam de Deus.

_ Qual é a sua concepção de Deus, papai?

_ Você tem bons sentimentos no coração e quer colocá-los em prática, filha?

_ Claro! Mas você não respondeu minha pergunta.

_ Então, filha. Saia do fanatismo das religiões. Diminua as visitas nos templos e pegue os seus sentimentos e... “Dê-os!”

_ Entendi.

_ Pois é. Dê os bons sentimentos para os outros e sentirá que Deus é tão somente isso. A entrega total de si, que automaticamente se torna um encontro e uma recepção divina. Dê... Dê......Deus.


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sexta-feira, 20 de março de 2015

O amor não pode existir sem paixão e paixão sem o amor.

_ O que é o amor?
_ Entre um homem e uma mulher o que chamam de amor conheço como paixão, embora, um seja a sombra do outro.
_ De jeito nenhum. Amar uma pessoa é bem diferente de se está apaixonada por ela. A paixão é apenas uma atração física fulminante. Amar de verdade é sentir a presença dessa pessoa sempre, mesmo quando ela está muito longe.
_ Como amar uma mulher sem sentir atraído por ela.
_ Amar é um todo. Não é só atração física.
_ É claro que não é só isso!
_ Você não sabe o que é altruísmo, solidariedade, caridade, colaboração? Num relacionamento entre um casal tem que existir isso.
_ Com certeza! Sentimos isso pelo ser humano em geral, mas na mulher que escolhemos para amar, além disso tudo tem a carnalidade palpitando e desejando sexo enquanto a libido existir.
_ Você não conseguiria, por um motivo ou outro, amar sua mulher de longe?
_ De jeito nenhum! Quando estou na cozinha e ela no quarto, já sinto que milhares de quilômetros já estão nos separando.
_ Com certeza, você não sabe diferenciar um sentimento do outro.
_ Não sei, porque não existe. Um é apenas sinônimo do outro.
_ Sua comparação é esdrúxula e ofensiva!
_ Ofensiva para você, que já tem uma opinião estereotipada e arbitrária dos  próprios pensamentos.
_ É melhor não falarmos nada. A sua ignorância me assusta.
_ A nossa diferença nos pontos de vista não me faz um ignorante. Cada um  enxerga as coisas com os próprios olhos.
_ Então você deve ser cego!
_ Não sou não. Muitas vezes o real só é visto com os olhos da alma.
_ O seu real!
_ O seu deve ser mais verdadeiro.
_ Não existe real mais real do que outro. O que você chama de real é mentira.
_ Existe sim. Existe a sua verdade, a minha e a verdade verdadeira que só Deus sabe qual é.
_ Ele sabe e nos transmite isso. Mas como você não freqüenta nenhuma igreja...
_ Cuidado que na sua igreja, o capeta esta travestido de Deus e...

 _ Você é um herege. Eu me recuso a discutir qualquer assunto com você.

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Homens de valores


_ Por que o país não fabrica mais dinheiro para não deixar seus cidadãos morrerem de fome?

_ Porque dinheiro é igual homem, uai, quanto mais no mercado, mais desvalorizado fica.

_ Mas o pouco que tem vai só para algumas.

_ Pois é, por isso sou adepta da bigamia.

_ Isso não explica nada!

_ Verdade, o homem desvalorizou, era preferível eu ter um de cem de verdade, mas troquei por dois de cinqüenta falsos.

_ Então quem desvalorizou foi você!

_ É verdade. Vou reclamar na casa!

_ Das moedas?

_ Não sei! Em algum lugar que fabrica homens de valores.









quinta-feira, 19 de março de 2015

perdas necessárias

se eu perder
se eu enganar
e daí
fui atrás do amor

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Sem gravidade, 
apesar de perder o chão firme, 
viver no mundo da lua.

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De mente fechada
Ouvidos trancados.
Ninguém entra.
Apodrece nas próprias convicções.
Demente!

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quarta-feira, 18 de março de 2015

Ela não era só bonita

ela era altruísta, alma doce, era boa
não perdi uma mulher, perdi um anjo
quero o céu, quero a mesma nuvem dela

xxx

ressuscitação

Arvore seca
Prenúncio de morte
Se primavera não existisse

xxx

Se jogo futebol e faço um gol, é para ela que ofereço.
Se tomo uma cervejinha, é ela que desce redondo.
Se fumo, é ela que eu "trago" no pensamento.
Se sinto tesão e o desejo aflora, é porque ela está próxima.
Se é por ela, tudo fica bem, a viva ganha sentido.

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terça-feira, 17 de março de 2015

Falei

Sou muito calado, não falo
Mas com verso, converso
Digo tudo, versejo

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O necessário

Procuramos dinheiro, sucesso e fortuna,
Querendo encontrá-los seja lá como for,
Para depois percebermos que isso é ilusório
E só nos sentimos afortunados quando
Não encontramos dinheiro, mas muito amor

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Impontuais e livres

Você sem vírgula
Eu sem ponto
Reticentes, nos soltamos

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Sinto mal,
Sinto mel,
Sinto mil coisas por você!

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segunda-feira, 16 de março de 2015

Parta de mim e leva
Parte de mim
Meus caos

Perto de mim e me acho
Porto de mim
Meu cais

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Poesia

Eu faço
Versos
Você não faz

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domingo, 15 de março de 2015


É preciso amar para...

...Cessar uma saudade doída
...Sumir os dias tristonhos
...Acordar de um sonho lindo e viver uma realidade igual
...Quando nada mais restar, entendermos que ainda temos tudo.
...Nunca sumir os sorrisos dos lábios

...Deslumbrar com o que parecia pouco encantador
...Irradiar com o brilho do sol
...Transbordar no olhar a felicidade plena
...Sentir-se parte de um belo jardim
...Dignificarmos nossa condição de ser humano

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