quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

(Sobre)viver

Perdi a agressividade. Estou sem crises nervosas, existenciais e financeiras. Meu sangue não está mais febril. Estou me rendendo às exigências da sociedade, do estereotipado e do previsível. Será que envelheci?

Mas me disseram que carregamos com a gente por toda a vida as idades que já vivemos. Será? Eu, até pouco tempo, mandava tudo à merda, brigava por quase tudo. Paz! É isso! Estou sentindo paz! Alguém me disse que é a paz que faz a gente sentir assim.

Paz? O mundo continua doente, sacana, injusto e sangrento e eu aqui, conformado, parado, pensando. Se isso for o que as pessoas chamam de paz, na verdade, não passa de uma ira camuflada, de uma máscara, de uma anestesia social.

Cuidado amigos, é isso que a vida pode fazer com a gente, quando se comete o crime de se “enquadrar no contexto”, de ser chamado de lúcido. Agora só me falta converter religiosamente, fazer doações para pastores imbecis e deixar meu filho  e meu vizinho passar fome. Devo o que, hein? Ser o Charlão de antigamente? Isso. Quero rebelar outra vez. A “sensatez” (Hipócritas filhos da puta) não tem a minha cara, embora, até pouco tempo, parecesse com ela.

            Acho que preciso conversar com mais crianças, com loucos e com um bêbado. È isso. Decidido. Preciso da verdade ingênua  das crianças, da verdade roubada dos loucos e da verdade reprimida que acha uma brecha nos alcoólatras. Nessas verdades (sagradas e profanas) é que se deve achar o verdadeiro sentido de tudo. Mas...