sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sem ela, definitivamente, não dá!

Agora são três e meia da madrugada. Apesar do horário, faz muito calor. Como sempre estou acordado pensando nela. Um reflexo de luz que entra pela janela caprichosamente começa a desenhar algo na parede em minha frente. Acompanho atentamente o movimento oscilante e percebo que parece desenhar um violão. Não! Parece um corpo de mulher, e é, inclusive o rosto está se delineando. O desenho está pronto. Meu Deus! É ela! Não acredito! Com certeza é a silhueta dela. Por um instante penso que aquela sombra na parede é o reflexo real dela e procuro com os olhos por onde ela possa estar. A saudade aumenta e vagueio em mil possibilidades de poder encontrá-la e trazê-la até mim. Começo a senti-la do meu lado. Sinto seu cheiro, sua respiração e seu hálito. Tudo muito real. Levanto para verificar com minúcia a origem daquela projeção que vem da janela, mas meu corpo, que sem ela, são mais de cem quilos de um vazio imenso, me segura, dizendo: "Não seja tolo, estamos num quarto andar de um apartamento. Não se engane, não me engane. Seus pensamentos voam, mas ela não pode flutuar no ar como um beija-flor e de repente surgir pela janela". Então, inconformado com essa verdade, volto a deitar e, apesar do calor sinto um frio e um calafrio. Meu corpo sofre. Pensamos no jeito peculiar dela, na sua sensualidade e nos seus trejeitos e carinhos tão singulares. Eu e meu corpo, solidário um com o outro, tentam se consolar, mas no fundo entristecem, sabendo que ela não voltará. Então, desesperançosos, esfacelamos sem compreender a razão dela não estar aqui.
            A madrugada, tão amiga minha, achando que está me fazendo bem, insiste em sombreá-la por todos os cantos da casa, intensificando o meu desejo de vê-la e tento sufocar esse amor para não estimular mais ainda o meu corpo também muito carente dela, mas esse amor é latente e palpita no escuro em cada célula minha.   Viro-me na cama por todos os lados, incapaz de sequer pensar no sono, começo a transpirar e chorar sem consegui me controlar. Ouço um barulho imenso. É uma explosão. Uma explosão interior que com espasmos constantes me balança por inteiro e me deixa mais agitado ainda. Levanto, lavo o rosto, bebo água e a madrugada, minha companhia de insônia, dessa vez parece querer me pirraçar, pois já notou a minha angústia, mas mesmo assim se recusa a amanhecer.       São cinco horas, estou incendiando de saudades, meus pensamentos vagueiam mais uma vez, dessa vez num quase delírio. A madrugada dessa vez percebeu o meu estado e mesmo não sendo hora de chamar o seu amante, o dia claro, dá-lhe um toque sutil e os dois, cochichando, se beijam, despedindo um do outro e marcando um encontro para depois. O dia claro toma o ar da graça e me expõe com um semblante carregado e triste, mas tentando me entreter com outras coisas, deixa o sol também se fazer presente, querendo me dizer, que é hora de levantar, de trabalhar e começar mais um dia. ...Não adianta! Mesmo no barulho da agitação da cidade, na agitação do meu local de trabalho, mesmo no  meu computador, só vejo o seu rosto, o seu jeito e sua maneira distinta, maravilhosa e exclusiva de ser mulher.             Eu a amo tanto, tanto...