sexta-feira, 22 de novembro de 2013


Reflexão sobre o amor

De repente, um dia, o amor me invadiu. Projetei esse sentimento numa linda mulher e me senti o mais feliz dos seres humanos. Ela correspondia com a mesma intensidade e vivíamos momentos maravilhosos. De repente, também, um dia, esse amor acabou. Tomei a decisão de acabar com o relacionamento. Sempre achei fácil lidar com isso.

Ela, chorou, sofreu, não conseguia entender essa minha decisão abrupta de acabar com tudo e por fim em algo que julgava que iria ter um desfecho maravilhoso. Eu fiquei chateado e muito triste com a reação dela, mas dizia para mim mesmo que aquilo era apenas um excesso de sentimentalismo e que logo-logo ela voltaria a sorrir e amar novamente. Não mais me preocupei com ela e segui normalmente a minha vida.

Pouco tempo depois, comecei a namorar outra garota e me apaixonei intensamente. Como antes, vivi momentos hilariantes, magníficos e gostosos, mas algum tempo depois, estava mais uma vez tudo acabado. Dessa vez a decisão fora da garota.

Como eu sempre fazia, num momento inesperado, ela simplesmente me descartou dizendo não me amar mais. Nunca poderia imaginar a dor que sentiria com aquela decisão dela. A impressão que eu tinha era que não saberia conviver com aquela situação e que poderia até me enlouquecer. A vida perdeu todo o sentido. Nada tinha mais graça. Sofri como nunca em toda a minha vida. Eu, no fundo, um machista idiota, achava que poderia abafar aquilo e tentava passar um ar de indiferença com o acontecido. Que nada! O meu semblante podia disfarçar a demonstração de um homem apaixonado, mas quando precisou disfarçar que não sentia mais essa paixão, a máscara caiu e me descobriram arrasado e quase sem vida. Foram dias muitos difíceis, horas torturantes, momentos de uma saudade louca e de uma sensação indescritível.

Foi depois de ter que aprender lidar com uma situação dessas é que pude ter uma idéia e noção do tanto que já machuquei e brinquei com os sentimentos de algumas mulheres. Realmente: “Jamais podemos fazer alguém gostar e apaixonar por nós, sem, no fundo, termos a intenção de corresponder a essa paixão.”

Nós, homens, fracos por natureza, que precisamos está sempre nos mostrando grandes e poderosos, mas na verdade, não passamos de ingênuos, mostramos o nosso verdadeiro jeito de ser quando a situação não nos é favorável. Nesses momentos, nós, os machões, os viris, os insensíveis, se desmancham sem saber conviver com a derrota.

Somos tão ingênuos, para não falar, retardados, que mesmo se tivéssemos certeza que aquela decisão tomada pela parceira de acabar com o relacionamento, realmente fosse a melhor saída, o mais viável, ainda assim, sofreríamos, simplesmente porque não admitimos que essa decisão tenha sido iniciativa da mulher.

A ironia de tudo isso é que, quando estamos fragilizados e sofrendo por causa do fim de um amor, é novamente num outro que encontramos consolo para amenizar as feridas feitas pelo anterior. Nesse novo amor, imaginamos que possa até ocorrer o mesmo, mas por achar que já estamos "vacinados" e prontos, que não vamos sofrer como antes. Ledo engano! Sofremos e muito mais! Fazemo-nos cativos, prisioneiros e não sabemos como fugir desse ciclo vicioso.

Por que tem que ser assim? Por que o mal causado pelo próprio amor? Seria o amor, então, um sentimento inviável? Não! Mil vezes, não! O amor não é um sentimento cruel. Ele nos invade arbitrariamente, é verdade, mas não para nos fazer sofrer. O amor nos engrandece, nos melhora e nos fazem mais humanos. E é esse sentimento que justifica a nossa condição de filho de um Deus. Somos medrosos e egoístas porque sabemos que o amor nos deixa vulneráveis e completamente entregues, e por isso corremos e escondemos dele. Nesses momentos mostramos a nossa vileza, porque só os covardes é que agem assim, fogem do suposto inimigo, ao invés de confrontá-lo.

Por que fazemos isso? Por que não gostamos da entrega total? Parece ridículo assumir que se é apaixonado por alguém. Temos medo de nos expor e achar que demonstramos amar mais do que o outro. Por fraqueza de espírito e por orgulho e muitas vezes por preocuparmos com o que os outros pensam dessa nossa entrega, abandonamos o amor para nos mostrar fortes e donos da situação. Como somos ingênuos, meu Deus! Pouquíssimo tempo depois de fazer isso, sofremos muitos mais. O arrependimento e a consciência de que aquele amor poderia ter se tornado a realização de tudo que já sonhamos um dia, nos torturam impiedosamente.

Então, fica claro: O que nos faz sentir maltratado, o que nos faz derramar lágrimas e sofrer não é o amor e sim a nossa falta de coragem, é a nossa covardia e a nossa fraqueza e pobreza de espírito.

Precisamos entender que amar alguém sempre valerá a pena e que a dor desse amor, depois de rompido, será sempre menor do que a frustração de não tê-lo vivenciado com mais ardor e se remoer pela possibilidade de perder a oportunidade de talvez se tornar a pessoa mais feliz do mundo. Não tenha medo da entrega! Não seja mais infeliz apenas por orgulho. Não preocupe se é amado na mesma proporção. Cada um tem um jeito peculiar de expressar esse amor. Se você tem esses momentos de reflexão sobre a reciprocidade de um sentimento, o problema pode ser seu.

Quem ama de verdade não faz especulações, conjecturas, projetos e planos. Quem ama, realiza o que quiser e não espera nada. Apenas vivencia a harmonia dessa dádiva concedida por Deus.

Quando duas almas estão em constante comunhão, têm o poder, de juntas, saborear o paraíso por aqui mesmo e sorver esse momento para sempre.

Como consegui essa afinidade absoluta? No momento em que você encontrar alguém e sentir que esse alguém não quer comandar o relacionamento, e se, nesse instante, você não aproveitar para querer comandar. Platão, por ser um adepto da razão, dizia que o amor é uma perigosa doença mental Já o nosso poetinha, Vinicius de Moraes, afirmava com convicção que não há nada melhor para a saúde do que um amor correspondido.

A opinião do segundo tem mais consistência, porque além ter vivido num passado bem recente, era um amante nato e sabia por experiência própria o que afirmava.Se vocês querem a cura de todos os males...

Amem!

Amém!

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Ataque de pudor

Assim, "sem que, nem por que" , no meio de uma farra "daquelas", entre muitas bebidas alcoólicas, cigarros, um som com um barulho estridente e muitas mulheres voluptuosas, de repente, me peguei distraído fazendo perguntas para mim mesmo.

Por que essa necessidade minha de sempre extravasar com bebidas em festas eróticas, com mulheres em demasia, que na verdade me dão simplesmente orgasmos rápidos, sem transmitir nenhum prazer?

Por que essa necessidade de me mostrar esperto, mulherengo e sentir vaidoso com isso tudo?Meu Deus, a felicidade exige simplicidade. Eu sou simples! Cadê Maria Antônia, minha tão sonhada e idealizada paixão? Quem mais poderia me dar prazer e tanta felicidade? Quem poderá suprir essa companhia tão desejada?

Trocaria tudo que tenho hoje para ficar com ela, numa simples casinha, que seja, tomando, nós dois, nossa bebidinha preferida, apenas para nos aquecer e temperar o nosso amor. Quem dessas mulheres aqui presente me daria carinhos verdadeiros, vindos da profundidade da alma, preocupando como foi o meu dia, como estou?

Seria possível, Senhor, materializar essa mulher para mim e trocar todas essas noites de sedução e erotismo por carinhos também com tesão e desejo, mas de uma única e exclusiva mulher?Seria possível, meu Deus, trocar esse barulho infernal por um quase inaudível som de uma vitrola, tocando uma canção de amor?

Estou cansado disso tudo. Estou cansado dessas conversas onde não se tira proveito de nada. Estou cansado de dizer e escutar coisas vãs.

Ah, como me faz falta palavras leves de uma mulher simples que saiba o que de fato seja realmente o amor!

Será apenas um sonho meu essas divagações aqui nesse tumulto?


Não tive tempo de me responder. Nesse momento mais uma mulher me puxa pelo braço com um copo de bebida na mão em direção a um quarto e exige mais uma orgia sem amor.

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